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08/10/2013

Mastectomia de Angelina Jolie levanta debate sobre cirurgia para evitar câncer


Jolie, de 37 anos, contou em artigo publicado no jornal The New York Times que decidiu fazer a cirurgia preventiva ao descobrir que era portadora de mutação no gene BRCA1, que aumenta o risco para câncer de mama e de ovário. A decisão foi reforçada por seu histórico familiar. Sua mãe, Marcheline Bertrand, morreu de câncer de ovário, em 2007, aos 56 anos.

No texto, a atriz revela ainda que seus seis filhos - três adotados - perguntavam se o mesmo (morte precoce por câncer) poderia acontecer com ela. A pergunta foi levada ao consultório e a resposta foi decisiva: médicos calcularam que Jolie tinha 87% de risco para câncer de mama e 50% para de ovário. O risco varia de mulher para mulher.

Estudos mostram que o câncer de origem genética não é raro. "No caso do câncer de mama, a taxa é de cerca de 10% e as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 respondem por cerca 70% de todos os casos hereditários de câncer de mama e ovário", afirma Maria Isabel Achatz, diretora de Oncogenética do A.C. Camargo Cancer Center (novo nome do Hospital A.C. Camargo).

Com a mutação, o risco de desenvolver câncer de mama ao longo da vida pode variar de 40% a 90%, explica Carlos Alberto Ruiz, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia. Na população em geral, esse índice fica em torno de 5%.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, diante do diagnóstico de mutação genética, a maioria das mulheres opta por retirar as mamas. "Elas programam essa decisão e geralmente se submetem ao procedimento depois de amamentar seus filhos", afirma Marcelo Sampaio, cirurgião plástico do Hospital Sírio-Libanês.

Isso ocorre porque a cirurgia preventiva não é um procedimento de urgência. "Não é uma decisão fácil. Primeiro porque não significa uma cura. E, depois, porque há efeitos colaterais, então é preciso fazer avaliações de longo prazo. A mama fica fria, perde o tato. Muitas mulheres se queixam de insatisfação sexual", afirma Ruiz. O mastologista ainda ressalta que a reconstrução não restabelece a sensibilidade, somente a estética. A mulher não tem mais como amamentar, então é preferível que seja após a prole já estar constituída", complementa.

Apesar disso, pondera Maria Isabel, o método deve ser encarado como opção porque é o único que vai reduzir em até 95% a probabilidade para o desenvolvimento do câncer em portadores da mutação. 

Exame. O teste genético que identifica o maior risco de desenvolver a doença está, aos poucos, se popularizando no Brasil, mas só em pacientes que podem arcar com os custos de uma clínica particular. Há dois anos, o Departamento de Aconselhamento Genético do Sírio-Libanês, por exemplo, realizava cerca de três a cinco testes por mês. Hoje, são oito a dez por semana.

Coordenador do departamento, Bernardo Garicochea diz que a revelação da atriz deve fazer a procura pelo procedimento aumentar. "Hoje, esse tipo de exame pode diagnosticar o risco de desenvolver não apenas câncer, mas outras doenças, como lúpus."

O resultado positivo do teste, porém, apenas sugere o procedimento cirúrgico. Há mais opções. "Uma saída é fazer um acompanhamento mais frequente, com exames de seis em seis meses que permitirão o diagnóstico precoce de tumores, como a mamografia e a ressonância magnética", afirma Maria Isabel Achatz.

Menopausa. Mulheres com mutação genética podem ainda escolher tomar um bloqueador hormonal como forma de prevenção. "A medicação reduz em cerca de 20% o risco de a paciente ter a doença", diz o mastologista Antonio Luiz Frasson, do Hospital Albert Einstein. Mas há efeitos colaterais. Quem toma adianta a menopausa.

E há outros fatores a serem levados em consideração. Maria Isabel Achatz ressalta, por exemplo, que a orientação das sociedades médicas americanas, que servem como guia no Brasil, é que, em primeiro lugar, sejam retirados ovários e trompas. "Ao contrários das mamas, os ovários são mais difíceis de acompanhar por exame médico. E sua retirada já reduz em 50% o risco de câncer de mama. A mastectomia, por sua vez, não reduz o risco nos ovários."

07/10/2013

Por que o exemplo de Angelina Jolie é importante?


O New York Times publicou artigo da atriz Angelina Jolie, onde ela conta que se submeteu à mastectomia bilateral profilática, criando um furor mundial na discussão desse procedimento. Mas, afinal, esse é um tema importante? O Instituto Oncoguia considera que SIM.

Aproximadamente 10 a 15% das mulheres que desenvolvem câncer de mama têm esse câncer como consequência de uma predisposição genética hereditária. Isto quer dizer que elas herdaram, do pai ou da mãe, um gene com mutação, e esta mutação aumentou o risco de elas desenvolverem o câncer de mama. Embora estes 10 a 15% possam parecer pouco, para a mulher que de fato tem estas mutações predisponentes ao câncer, a probabilidade de desenvolver o câncer de mama ao longo da vida pode chegar a 85%. E mais que isso, na dependência do tipo de mutação presente, aumenta muito também o risco de desenvolver câncer de ovário, risco este que pode chegar a 55% ao longo da vida dessas mulheres.

Angelina é portadora de uma dessas mutações, no caso, do gene conhecido como BRCA1.

Uma mulher descobre que é portadora desta mutação predisponente ao câncer através de um teste genético, feito em amostra de sangue ou saliva. Mas a grande discussão não começa pelo teste, e sim por quem deve fazer o teste. Esse é o ponto chave. Saiba quem deve discutir a possibilidade de ter uma predisposição genética hereditária com seu médico. Ele é que determinará a necessidade de realizar o teste genético. Isto porque não são todas as pessoas com história familiar que devem fazer o teste, elas devem primeiro passar por avaliação médica antes de qualquer exame:
- Mulheres saudáveis que tenham uma história familiar de câncer de mama, especialmente se ao diagnóstico esses parentes eram jovens;
- Mulheres com parente sabidamente portador de mutação predisponente ao câncer;
- Mulheres saudáveis que tenham história de parentes com câncer de ovário ou de mama;
- História de câncer de mama em homens na família.
Com base nessa história familiar, será feita uma avaliação oncogenética, sendo que o teste genético propriamente dito somente deve ser solicitado após a orientação de que fazer no caso de o teste ser positivo. Fazer um teste genético sem ter as orientações prévias pode ser uma receita de problemas, mais que de soluções. E via de regra, o teste genético é feito primeiramente no parente que já teve o câncer, e somente depois nas pessoas saudáveis da família.

Mas vamos lá, voltando ao caso de Angelina Jolie. Sabendo que ela tinha o teste positivo para mutação de BRCA1, e, portanto, um risco imenso de desenvolver tanto câncer de mama (até 85% ao longo da vida) quanto câncer de ovário (50% ao longo da vida), ela decidiu se adiantar e fazer a prevenção. A prevenção também poderia ser feita com:
- Terapia hormonal.
- Rastreamento com ressonância de mama e mamografia anuais (que detectariam precocemente um câncer, permitindo a cura).
Ela optou pela mastectomia profilática bilateral, na qual é retirada toda a glândula mamária, mas poupada a pele e mamilo, e colocada prótese bilateral. Com isso, o risco de ela desenvolver um câncer de mama diminui em mais de 90%. Sobra ainda o risco de câncer de ovário, para o qual ela terá a opção de retirada cirúrgica dos ovários. Normalmente, em casos como esse, recomenda-se que a retirada dos ovários ocorra somente depois que a mulher tenha tido seus filhos.

O que o artigo dela tem de fantástico é a abordagem por uma pessoa conhecida no mundo todo, sobre um tema que não pode ser tabu e que deve sim invadir nossas casas para que todos possam se informar e pensar sobre isso. Como ela mesma diz, ela continua se sentindo e sendo tão feminina quanto sempre foi, e, certamente continuará com uma vida ativa, produtiva e feliz.
"Angelina Jolie deve ser parabenizada pela coragem e comprometimento com a saúde das mulheres do mundo!"
Difícil opção!

Leia AQUI 
"Direitos do Paciente Portador de Câncer"

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