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21/03/2015

Médicos discordam do diagnóstico de câncer de mama em 25% dos casos

Estudo comparou opinião dos médicos que detectaram os casos com a de um grupo de especialistas

Um novo estudo mostra que nem sempre os médicos concordam com os resultados de biópsias para câncer de mama. Publicada na terça-feira no periódico Jama, a pesquisa revela que os médicos que detectam o problema inicialmente só concordam em 75% das vezes com especialistas que não estão ligados ao caso.

No estudo, 115 patologistas - médicos que analisam exames e diagnosticam o câncer - dos EUA avaliaram imagens de 240 biópsias de câncer de mama e fizeram diagnósticos. Suas respostas foram confrontadas com as de um grupo de referência, formado por três especialistas no assunto, que determinaram as análises corretas. 
Quando se tratava de um câncer invasivo, aquele que já atinge outras camadas celulares do órgão afetado e tem capacidade de se disseminar para outras partes do corpo, houve um bom consenso: os patologistas concordaram com o diagnóstico determinado pelos especialistas em 96% dos casos. Quando se tratava de biópsias não cancerígenas, a concordância caiu para 87% dos casos. 
Casos complexos - Em situações de diagnóstico mais complexo, como atipia, quando as células são anormais mas não cancerosas, os patologistas e o painel de referência só entraram em consenso em 48% dos casos. No caso do chamado carcinoma ductal in situ (CDIS), quando as células anormais ficam dentro dos ductos das mamas, o veredito dos médicos foi o mesmo em 84% das vezes. Na totalidade dos casos, a porcentagem de concordância foi de 75%. 
O índice de discordância foi maior em biópsias de mulheres com maior densidade mamária. O estudo não analisou o impacto clínico de diagnósticos incorretos, mas as descobertas levantaram preocupações quanto a um diagnóstico superestimado do câncer, assim como a perda de oportunidades de identificá-lo precocemente.

24/10/2014

Confirmado primeiro caso de ebola em Nova York


As autoridades de Nova York confirmaram nesta quinta-feira (23) o primeiro caso de ebola no Estado, um médico que trabalhou na Guiné, mas asseguraram que "não há motivo de alarme" porque a cidade está se preparando há meses para esta situação.

"As possibilidades de o nova-iorquino médio contrair ebola continuam sendo muito, muito pequenas", afirmou o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em entrevista coletiva com outras autoridades do Estado.

Craig Spencer, de 33 anos, trabalhou na Guiné com a organização humanitária MSF (Médicos sem Fronteiras) e deixou o país no último dia 14. Ele chegou a Nova York depois de uma escala na Europa.

"Estivemos nos preparando por meses para isto", afirmou De Blasio, que estava acompanhado, entre outros, pelo governador de Nova York, Andrew Cuomo, e por responsáveis de saúde do Estado.

A encarregada de saúde da cidade, Mary Travis Bassett, disse que o teste que comprovou que Spencer está infectado pelo vírus ebola foi feito no hospital em que está internado, no Bellevue. Ela assinalou que outra análise será feita nos laboratórios do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), com sede em Atlanta, e os resultados sairão nas próximas 24 horas.


Spencer chegou em Nova York a 17 de outubro pelo aeroporto JFK, e teve uma vida normal até começar a sentir febre e outros sintomas próprios do ebola na manhã da quinta-feira.

Os responsáveis de saúde ressaltaram que, felizmente, se trata de um médico que prestou serviços na Guiné, um dos três países mais afetados pela epidemia, e que por isso está ciente de todos os protocolos de segurança.

As autoridades puseram três amigos e a namorada do médico em quarentena, as pessoas que estiveram mais perto dele desde que retornou a Nova York. Como nenhum deles tem sintomas, não foi feito teste para saber se foram contaminados.


Embora Spencer tenha usado o metrô desde que voltou à cidade, as autoridades afirmaram que não há razão para cogitar que possa ter infectado algum passageiro, porque o ebola só é transmissível por fluidos e quando há sintomas da doença. O caso de Nova York é o quarto nos Estados Unidos. 


04/09/2014

A morte de um herói expõe o atraso da resposta ao ebola


Sheik Humarr Khan era médico e único especialista em febres hemorrágicas na Serra Leoa. A sua morte foi mais um golpe num país cujo sistema de saúde está a ficar devastado pelo pior surto de ébola. Quem restará para a próxima crise de saúde pública?

Quando dois missionários norte-americanos recuperaram do vírus do ébola, depois de serem tratados com um medicamento experimental, a família em luto do médico mais famoso da Serra Leoa, que não sobreviveu a esta doença, perguntou-se por que é que este tratamento tinha sido negado a Sheik Humarr Khan.

Este médico era um herói na Serra Leoa por liderar a luta contra o pior surto de sempre desta febre hemorrágica altamente contagiosa, que já matou 1552 pessoas, a maioria na Serra Leoa, na Libéria e na Guiné-Conacri, na África Ocidental.

No final de Julho, Khan ficou doente com ébola e foi rapidamente transportado para a unidade de tratamento dos Médicos Sem Fronteiras no Norte da Serra Leoa. Lá, os médicos discutiram se deveriam dar-lhe o ZMapp, um medicamento apenas testado em animais de laboratório, que nunca tinha sido usado em humanos.

Os médicos tiveram dificuldade em decidir o que fazer devido, por um lado, à questão ética de favorecer uma pessoa em relação a centenas de outras que também estavam doentes e, por outro lado, devido ao risco de haver repercussões se a morte de um herói nacional fosse relacionada com a administração de um tratamento experimental. No final, decidiram não usar o ZMapp. 

A 29 de Julho, a Serra Leoa ficou de luto com a morte de Sheik Humarr Khan.

Uns dias mais tarde, o ZMapp, produzido na Califórnia, foi administrado a Kent Brantly e Nancy Writebol, dois missionários norte-americanos que contraíram o ébola na Libéria e foram depois transportados para um hospital, em Atlanta, nos Estados Unidos. Não se sabe se o ZMapp teve algum papel na sua recuperação, mas os dois saíram do hospital há cerca de duas semanas.

Sheik Humarr Khan foi um dos mais de 100 trabalhadores de saúde africanos que pagaram o derradeiro preço ao lutarem contra o ébola, numa epidemia que tem sobrecarregado os sistemas de saúde daqueles países e que, dizem muitos, poderia ter sido contida se o mundo tivesse agido de forma mais rápida.

Um cartaz de aviso ao ebola, junto de um hospital em Freetown, capital da Serra Leoa
CARL DE SOUZA/AFP (ARQUIVO)
Em Mahera, uma aldeia no Norte da Serra Leoa, os pais e os irmãos do médico questionam-se por que é que ele não recebeu o tratamento. O médico salvou centenas de vidas durante uma década a lutar contra a febre de Lassa – uma doença semelhante ao ébola – na sua clínica em Kenema, uma cidade no Sudeste da Serra Leoa com 130.000 pessoas onde há comércio de diamantes. O médico era o único especialista do país em febres hemorrágicas.

“Se o tratamento era suficientemente bom para os norte-americanos, devia ter sido suficientemente bom para o meu irmão”, disse Ray Khan, o irmão mais velho, enquanto se senta no alpendre da casa da família. “Não é lógico que não tenha sido usado. Ele não tinha nada a perder se o tratamento não tivesse funcionado.”

Os médicos que conheciam Sheik Humarr Khan e que estavam envolvidos naquela decisão difícil disseram, contudo, que foi tomada com base em fortes razões éticas.

O vírus do ébola é transmitido pelo contacto directo com os fluídos corporais de pessoas infectadas e contamina mais o pessoal médico e as pessoas que lidam com os doentes. As vítimas têm vómitos, diarreia, hemorragias internas e externas nos estádios finais da doença, deixando os seus corpos cobertos pelo vírus. Para tratar os doentes, os médicos têm de ter formação e roupa de protecção, duas coisas raras em África.

O surto foi detectado há mais de cinco meses no interior das florestas no Sudeste da Guiné-Conacri. Mas só a 8 de Agosto é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a epidemia era uma emergência de saúde internacional, prometendo assim mais recursos. Ao dizimar o pessoal médico destes países, que já só tinham algumas centenas de médicos antes do surto, o ébola deixou milhões de pessoas vulneráveis à próxima crise de saúde.

“O doutor Khan conhecia os riscos melhor do que ninguém… mas quando se trabalha 18 horas por dia durante meses em instalações que estão superlotadas, qualquer um irá cometer um erro”, disse Robert Garry, professor de microbiologia e imunologia da Universidade de Tulane, em Nova Orleães, EUA, que trabalhou com o médico da Serra Leoa durante uma década. “A comunidade internacional tem de olhar para o que aconteceu e dizer que falhámos. Deveríamos ter reagido mais rápido a este surto.”

Atmosfera tensa

Para muitas pessoas da Serra Leoa, Sheik Humarr Khan era um salvador pelo trabalho pioneiro que fez com a febre de Lassa, uma doença endémica que nas florestas do Leste da Serra Leoa mata 5000 pessoas por ano. Quando o ébola apareceu, também se tornou a figura de proa da nova luta, e foi saudado pelo Presidente Ernest Bai Koroma, como “herói nacional”.


18/05/2013

CFM entra com representação contra contratação de médicos estrangeiros

"O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D'Ávila:em busca de esclarecimentos."
O Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República para impedir o governo de contratar médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil. Na representação, a entidade cobra esclarecimentos dos ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota; da Saúde, Alexandre Padilha; e da Educação, Aloizio Mercadante.

Na última semana, o governo anunciou a intenção de contratar 6 mil médicos de Cuba, além de profissionais de Portugal e da Espanha, para atuarem em regiões carentes do país. 
O presidente do CFM, Roberto d'Avila, disse que a preocupação do conselho é a contratação de profissionais sem qualificação comprovada. "Nós não vamos permitir que a população brasileira seja atendida por médicos desqualificados e que não tiveram a sua competência avaliada", disse. 
Para exercer medicina no Brasil, os profissionais formados no exterior precisam ser aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida). Segundo o presidente do CFM, o conselho não vai aceitar alterações que possam baixar o nível de dificuldade da prova. 
"A entidade quer esclarecimentos sobre supostos projetos e acordos para assegurar a entrada no país de médicos estrangeiros e de brasileiros portadores de diplomas obtidos no exterior. Na representação, a entidade argumenta sobre os riscos da importação de médicos sem critérios. Para o CFM, esta medida fere a autonomia nacional, desrespeita a legislação que regula o ingresso de médicos no país, coloca em risco a qualidade da assistência oferecida à população e não resolve de forma definitiva o atendimento em saúde das áreas de difícil provimento no interior e nas periferias dos grandes centros", diz nota do conselho. 
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garantiu que o governo está preocupado em trazer médicos com boa formação para o Brasil e estuda modelos adotados em outros países. "Nós queremos profissionais com qualidade. O ministério está estudando o que o Canadá, a Austrália e a Inglaterra fazem para atrair médicos de qualidade. Estamos dispostos a debater esse tema. Mas esse debate tem que ser transparente, não pode haver tabus e preconceito", disse o ministro. 
Padilha disse que o objetivo do governo é criar programas de autorização especial para que esses profissionais só possam atuar na atenção básica e nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. A ideia é evitar que eles entrem no país e depois saiam das regiões onde há carência de médicos e passem a disputar o mercado de trabalho com os brasileiros.

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