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29/10/2015

Psoríase é razão de uma em cada 5 consultas dermatológicas, diz estudo


Um em cada cinco pacientes que vão ao dermatologista buscaram a consulta devido a psoríase, doença que afeta 3% da população mundial, que se deve sobretudo a fatores genéticos (mais de 50%), ambientais e imunológicos.

A dermatologista do Hospital Universitário de Basurto, na Espanha, Rosa Izu, divulgou estes dados durante o XXV Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venerologia, realizado em Copenhague.

A psoríase, que afeta 125 milhões de pessoas no mundo, tem um impacto negativo na qualidade de vida, pois produz sintomas físicos como dor nas articulações, ardência, coceira e irritação da pele.

"Não se morre de psoríase, mas ela pode amargar a existência", sublinhou Rosa Izu, que tem a doença, "bastante controlada graças a medicamentos".

A dermatologista apontou que a maioria das pessoas com psoríase (80%) sofrem de uma forma leve da doença, com marcas nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo, e "têm que estar continuamente se hidratando".

Raquel Rivera detalhou que "há pessoas com psoríase complexa que não respondem ou deixam de responder aos tratamentos que temos até agora, por isso o surgimento de novos fármacos oferece novas oportunidades".

Uma das principais novidades do congresso foi o secukinumab, um fármaco que permite um clareamento da pele nos pacientes com psoríase.

Segundo Rivera, é o primeiro fármaco biológico que bloqueia a interleuquina, uma das 12 proteínas que atuam como mensageiras entre as células imunes que combatem as infecções.

Jordi Valls acrescentou que este fármaco é de uso exclusivo hospitalar e já foi aprovado pela Agência Europeia de Remédios em 18 países da União Europeia.

Este tratamento, aplicado com injeções subcutâneas, "mudou o conceito sobre esta doença para o dermatologista" porque a artrite psoriásica não desaparece, mas pode ser controlada.

As complicações da psoríase são decorrentes da cronicidade. "Nestes pacientes aparecem escamas, eles têm dor e sua qualidade de vida é mais baixa, semelhante à das pessoas com doenças cardiovasculares, câncer e depressão", ressaltou.

Pesquisa aponta resultados sobre complicações da psoríase em brasileiros


Uma pesquisa inédita foi apresentada nesta quinta-feira, no Dia Mundial de Conscientização contra Psoríase, sobre a doença identificada por lesões na pele, e aponta que 63,7% dos pacientes brasileiros relatam ter dificuldades associadas à dor e aspectos emocionais, o que pode ajudar a desencadear artrite e problemas cardiovasculares.

"A psoríase tem sido negligenciada por muito tempo, por falta de terapêutica adequada para seu controle. Hoje, já dispomos de tratamentos eficazes que podem minimizar seus efeitos, quando a doença é adequadamente tratada", afirma a médica Cacilda Souza, responsável pelo Serviço de Dermatologia do Hospital de Clinicas, da USP-Ribeirão Preto e coordenadora o estudo.

Segundo a especialista, a psoríase é uma doença não contagiosa, mas crônica e sistêmica, o que exige uma atenção da medicina para o desenvolvimento de cuidados com os pacientes, que sofrem também com o preconceito da visibilidade que a enfermidade apresenta.

"Na maioria das vezes, identifica-se a psoríase através das lesões da pele que descamam muito e coçam, especialmente nas regiões do couro cabeludo, joelhos, cotovelos, braços e pernas, que são partes visíveis e causam desconforto ao paciente", descreveu à Efe.

Além disso, a médica explica que os pacientes com psoríase podem ter uma incidência maior de problemas cardiovasculares por causa da associação com um conjunto de doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, que formam o que a medicina classifica como síndrome metabólica.

De acordo com a médica, a síndrome metabólica é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e, estima-se, afeta entre 30% a 40% dos pacientes com psoríase, independente do grau de atividade da doença.

Pensando nisso, o foco do estudo 'Beyond', patrocinado pela companhia biofarmacêutica AbbVie, foi identificar quantos dos pacientes possuíam complicações causadas pela doença.

Segundo Souza, ainda não são totalmente conhecidas as razões da associação da psoríase com a síndrome metabólica; mas sabe-se que o risco é maior entre os pacientes com psoríase do que os pacientes sem a doença.

Até outubro, a pesquisa avaliou 113 pacientes brasileiros que têm a doença inflamatória, que surge também por causa do estado do sistema imunológico da pessoa, podendo também ter um componente genético.

Dentro dessa amostra, 63,1% apresentam sintomas de dor e mal estar e 54,1% têm sinais de depressão e ansiedade, quadros clínicos que podem complicar a psoríase, melhorando ou piorando no dia a dia, segundo explicou a médica à Efe.

Entre os pacientes que participaram da pesquisa, a maioria é composta por homens (55,8 por cento), com idade média de 52 anos, e fazem parte de um estudo maior, o Beyond, que inclui um total de 300 pacientes das regiões Norte, Sudeste e Sul do Brasil.

O estudo foi estruturado para medir a prevalência da síndrome metabólica e artrite psoriásica em pacientes com a enfermidade em diferentes estágios da doença.

De acordo com os dados da Associação Psoríase Brasil, cerca de cinco milhões de brasileiros possuem a doença.

A pesquisa continua sendo feita e os resultados completos devem ser concluídos em 2016 com foco principal em pacientes adultos com psoríase (homens e mulheres não grávidas) em qualquer estágio da doença. 
As avaliações foram baseadas na resposta a questionários específicos, exames clínicos e de imagem de pacientes dos nove centros de tratamento e pesquisa em psoríase do país, sendo a maioria associada a hospitais universitários. 
"A psoríase tem um grande impacto na vida dos pacientes. Como as pesquisas sobre a doença são limitadas, estes dados, com pacientes brasileiros, contribuirão para entendermos as necessidades e para trazermos soluções mais adequadas a estes pacientes", afirma o Manuel Uribe, Diretor Médico da AbbVie no Brasil.


29 de outubro: DIA MUNDIAL DA PSORÍASE


Psoríase é uma doença inflamatória da pele, crônica, não contagiosa, multigênica (vários genes envolvidos), com incidência genética em cerca de 30% dos casos. Caracteriza-se por lesões avermelhadas e descamativas, normalmente em placas, que aparecem, em geral, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos.

Surge principalmente antes dos 30 e após os 50 anos, mas em 15% dos casos pode aparecer ainda na infância.

Sinais e Sintomas

De acordo com a localização e características das lesões, existem vários tipos de psoríase:

a) Psoríase Vulgar – lesões de tamanhos variados, delimitadas e avermelhadas, com escamas secas, aderentes, prateadas ou acinzentadas que surgem no couro cabeludo, joelhos e cotovelos;
 (a)
b) Psoríase Invertida – lesões mais úmidas, localizadas em áreas de dobras como couro cabeludo, joelhos e cotovelos, sob os seios etc.  
(b)
 c) Psoríase Gutata – pequenas lesões localizadas, em forma de gotas, associadas a processos infecciosos. Geralmente, aparecem no tronco, braços e coxas (bem próximas aos ombros e quadril) e ocorrem com maior frequência em crianças e adultos jovens;

 (c)
d) Psoríase Eritrodérmica – lesões generalizadas em 75% ou mais do corpo;

 (d)
e) Psoríase Ungueal – surgem depressões puntiformes ou manchas amareladas principalmente nas unhas da mãos;
(e)
f) Psoríase Artropática – em cerca de 8% dos casos, pode estar associada a comprometimento articular. Surge de repente com dor nas pontas dos dedos das mãos e dos pés ou nas grandes articulações como a do joelho.

 (f)
g) Psoríase Postulosa – aparecem lesões com pus nos pés e nas mãos (forma localizada) ou espalhadas pelo corpo;

 (g)
h) Psoríase Palmo-plantar – as lesões aparecem como fissuras nas palmas das mãos e solas dos pés.
 (h)
Causas

Além da genética, outros fatores estão envolvidos no aparecimento e evolução da doença. Fatores psicológicos, estresse, exposição ao frio, uso de certos medicamentos e ingestão alcoólica pioram o quadro.
 Psoríase guttata (avançado estado)
Tratamento

Psoríase não tem cura, tem tratamento. Não há como prevenir a doença, embora seja possível controlar a reincidência.

Casos leves e moderados (cerca de 80%) podem ser controlados com o uso de medicação local, hidratação da pele e exposição ao sol. Para quem não tem tempo para exposições diárias ao sol, são preconizados banhos de ultravioleta A e B em clínicas especializadas e sob rigorosa orientação médica. Esses banhos não são recomendados para crianças.

Algumas pomadas à base de alcatrão já provaram sua eficácia no controle da doença, mas têm o inconveniente de sujarem a roupa de vestir e de cama e de terem cheiro forte, parecido com o da creolina. Medicamentos por via oral só são introduzidos nos casos mais graves de psoríase refratária a outros tratamentos.
Recomendações

* Hidrate muito bem a pele, para evitar seu ressecamento excessivo que favorece a possibilidade de desenvolver lesões;

* Exponha-se com cuidado e moderadamente ao sol, mas antes passe um creme hidratante ou terapêutico. Você vai ter de usá-lo a vida inteira;

* Evite a ingestão de bebidas alcoólicas;

* Procure não se desgastar emocionalmente. O estresse tem papel importante no aparecimento das lesões. Como não é uma tarefa fácil, procure ajuda de um profissional se considerar necessário;

* Não fuja de encontros sociais e de lazer por causa das lesões. Psoríase não é contagiosa e, se você se afastar de tudo e de todos, pode comprometer o estado emocional e aumentar o problema;

* Visite regularmente o dermatologista e siga à risca suas orientações. Isso o ajudará a controlar as crises.



Dia Mundial da Psoríase


Saúde a todos!

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