Cuidar da saúde com amor e alegria!

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05/10/2013

Risco de desenvolver câncer de mama e fatores que podem influenciar neste risco

 
O câncer de mama é uma doença genética ou seja é necessário uma alteração no(s) gene(s). No entanto, vários outros fatores estão envolvidos , alguns que não podem ser modificados e outros que você pode modificar, diminuindo assim o seu risco de desenvolver a doença. 

Câncer de Mama - Fatores de risco que você pode controlar 

Peso: o aumento do peso esta associado a um maior risco de câncer de mama, sobretudo em pacientes após a menopausa. Quando a mulher entra na menopausa os ovários param de produzir o principal hormônio envolvido no desenvolvimento do câncer de mama, o estrogênio. Este hormônio passa a ser produzido na gordura, portanto quanto maior a quantidade de gordura maior a quantidade de estrogênio e consequentemente maior o risco de câncer de mama. Para calcular seu peso ideal, faça o seguinte cálculo: divida seu peso pela altura ao quadrado , o ideal é que este número esteja situado entre 20 e 25. Se maior que 25 é sobrepeso e se maior que 30 já classificamos como obesidade. 

Alimentação: existem vários alimentos que provavelmente aumentam o risco de vários tipos de câncer, inclusive câncer de mama. É recomendável evitar completamente a ingestão de carne vermelha, queijos "gordos", açúcar, alimentos que contenha açúcar, arroz branco, pão branco, enlatados, alimentos embutidos e processados. É recomendável a ingesta de cinco porções de frutas por dia, carnes brancas (preferência galinha caipira sem pele, peixes, sobretudo sardinha, salmão e cavala que são ricos em ômega 3), frutas ,verduras , legumes , arroz integral, pão integral , cereais , derivados da soja. Dê sempre preferência a alimentos orgânicos, quando possível. Se não conseguir ficar sem os adoçantes, prefira os à base de steviosídeo. (stévia)

Atividade física: existem evidências científicas que a atividade física diminui o risco de câncer , incluindo o câncer de mama. A recomendação atual é exercício moderado a intenso pelo menos 5 vezes por semana por cerca de uma hora. A associação de exercícios aeróbicos e de musculação é o ideal e de preferência sob supervisão de um profissional de educação física. 

Consumo de álcool: o consumo de álcool esta associado ao aumento de vários cânceres como os de cabeça e pescoço e ao câncer de mama. Um dos mecanismos da ação do álcool seria a alteração do metabolismo do estrogênio no fígado. 

Tabagismo: o ato de fumar é a principal causa evitável de câncer. Se você fuma procure imediatamente ajuda médica , pois hoje dispomos de medicamentos que aumentam a chance de você parar de fumar. Além do aumento do risco de câncer de mama, o fumo aumento o risco de vários tipos de tumores incluindo câncer de pulmão , cabeça e pescoço, bexiga, colo do útero e pâncreas. Há um aumento do risco de infarto do miocárdio e das doenças do pulmão( bronquites).

04/09/2012

CÂNCER DOS TESTÍCULOS


Os testículos se localizam dentro da bolsa escrotal e são responsáveis pela produção dos espermatozoides e da testosterona, o hormônio sexual masculino. Embora represente apenas 1% dos tumores que afetam os homens, a incidência de câncer de testículo tem aumentado nos últimos anos. A doença acomete especialmente adultos jovens, brancos, entre 20 e 40 anos, fase de maior a atividade sexual e reprodutiva.

O câncer de testículo pode pertencer a dois grandes tipos: o tumor germinativo não seminomatoso, de caráter mais agressivo, e o tumor germinativo seminomatoso, de crescimento mais lento.

Vale citar, além desses, um terceiro grupo bastante raro de tumor de testículo que é constituído por linfomas, sarcomas e pelo tumor de Sertoli e Leydig.

Causas e fatores de risco

Não existe ainda a causa definida para o câncer de testículo, mas sabe-se que alguns fatores de risco podem estar associados ao aparecimento da doença. O mais comum é a criptorquidia, isto é, a permanência do testículo fora da bolsa escrotal depois do nascimento. Os outros são algumas síndromes genéticas raras, traumas crônicos e história da doença no passado. Alguns estudos mostram risco discretamente aumentado em pessoas com histórico familiar de câncer de testículo.

Sintomas

A principal característica é a presença de massa escrotal ou de um nódulo endurecido e indolor no testículo, situado com mais frequência do lado direito e encontrado na palpação. Apenas alguns pacientes manifestam dor aguda nos testículos provocada por hemorragia interna nesse órgão. Dor nas costas, tosse, edema podem ser sinais de metástases resultantes da progressão da doença.

auto-exame

Diagnóstico

É comum a suspeita de câncer de testículo ser levantada durante o autoexame ou numa consulta médica de rotina.

O exame mais importante para confirmá-la é a ultrassonografia, que além de revelar a existência do tumor, muitas vezes ainda não palpável, aponta sua relação com os órgãos vizinhos e ajuda a estabelecer o diagnóstico diferencial.

Testes laboratoriais de sangue para avaliar os marcadores tumorais Beta HCG, DHL, e alfa-fetoproteína são úteis na fase do diagnóstico, durante e após o tratamento. Da mesma forma, a tomografia pélvica e do abdômen e os raios X são importantes no pré e no pós-operatório. Uma vez que há risco de disseminação da doença através da agulha utilizada para biópsia, o exame anatomopatológico só é realizado depois da retirada cirúrgica do nódulo.

Prevenção

Como não se conhece a causa do câncer de testículo, não existem maneiras seguras de prevenir a enfermidade. A exceção são os casos de criptorquidia, que devem ser corrigidos tão logo seja possível.

No entanto, o autoexame realizado todos os meses representa um meio de detectar qualquer alteração importante para o diagnóstico precoce.

Tratamento

O tratamento do câncer de testículo é a cirurgia por via inguinal (orquiectomia radical) para a remoção do testículo afetado, com ou sem colocação de uma prótese no local. A recuperação costuma ser rápida e não há comprometimento da potência sexual, se apenas um testículo for retirado. Quando há sinais de metástases ou para evitar recidivas, o paciente deve receber aplicações de quimioterapia acompanhada ou não de radioterapia.

O tratamento dos tumores de testículo pode induzir a infertilidade definitiva ou temporária. Por precaução, portanto, é recomendável, após a retirada do testículo, sob a orientação de um urologista, colher esperma e guardá-lo num banco apropriado para esse fim. Isso permitirá que o paciente tenha filhos no futuro, se desejar. Mesmo nos casos de infertilidade temporária, alguns autores recomendam que a pessoa só tenha filhos dois anos depois do final do tratamento quimioterápico.

Recomendações

* Faça todos os meses um autoexame dos testículos, especialmente se tem história anterior de criptorquidia ou de tumor de testículo;

* Siga as orientações de seu médico quanto ao tratamento complementar e o acompanhamento clínico especialmente nos primeiros anos depois da cirurgia. O câncer de testículo é uma doença com grandes chances de cura, quando precocemente diagnosticada;

* Não se abale com o fato de que o tratamento para o câncer de testículo pode induzir a infertilidade. Primeiro, porque ela pode ser passageira. Depois, porque atualmente existem técnicas de fertilização assistida que podem contornar esse problema. Consulte seu urologista sobre todas as possibilidades.


Estude, pesquise, aprenda e
CUIDE-SE!

08/08/2012

ACALÁSIA

A acalásia (cardioespasmo, aperistaltismo esofágico, megaesôfago) é uma perturbação devida a uma alteração do sistema nervoso de causa desconhecida que pode interferir com dois processos: com as ondas rítmicas de contração do esófago que empurram os alimentos para a sua parte inferior (ondas peristálticas) e com a abertura do esfíncter esofágico inferior.

A acalásia pode ser devida a um mau funcionamento dos nervos que rodeiam o esôfago e inervam os seus músculos.

Sintomas e complicações

A acalásia pode surgir em qualquer idade, mas normalmente começa, quase duma forma imperceptível, entre os 20 e os 40 anos e depois progride de forma gradual ao longo de muitos meses ou anos. O principal sintoma é a dificuldade em engolir tanto sólidos como líquidos. A contração persistente do esfíncter esofágico inferior faz com que o esófago acima dele se dilate de forma exagerada.

Outros sintomas podem ser dor no peito, regurgitação do conteúdo do esófago dilatado e tosse noturna. Embora seja pouco comum, a dor no peito pode ocorrer durante a deglutição ou sem razão aparente. Cerca de um terço das pessoas com acalásia regurgitam a comida não digerida enquanto dormem. Podem aspirar alimentos para os seus pulmões, o que pode provocar abcessos no pulmão, bronquiectasias (alargamento e infecção das vias aéreas) ou pneumonia por aspiração. A acalásia também constitui um fator de risco para o cancro do esófago, embora provavelmente menos de 5 % das pessoas com acalásia desenvolva este tipo de cancro.

Diagnóstico e prognóstico

As radiografias do esôfago feitas no momento da deglutição do bário mostram a ausência de peristaltismo. O esófago encontra-se dilatado, frequentemente em proporções enormes, mas é estreito ao nível do esfíncter esofágico inferior. O valor das pressões medidas dentro do esófago (manometria)  indica uma ausência de contrações, um aumento da pressão de fecho no esfíncter inferior e uma abertura incompleta do esfíncter quando a pessoa engole. A esofagoscopia (exame do esófago através dum tubo flexível de visualização com uma câmara de vídeo) mostra um alargamento, mas não uma obstrução.

Com a ajuda dum esofagoscópio (tubo flexível para a visão direta), o médico faz uma biopsia (obtém amostras de tecido para serem examinadas ao microscópio) para confirmar que os sintomas não são causados por um cancro do segmento inferior do esófago. Também faz um exame para descartar uma esclerodermia, uma doença muscular que pode alterar a deglutição.

Muitas vezes, a causa da acalásia não é importante e não condiciona nenhum problema grave. O prognóstico não é tão bom se tiver havido aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões, uma vez que as complicações pulmonares são difíceis de tratar.

Tratamento

O objetivo do tratamento é conseguir que o esfíncter esofágico inferior se abra com mais facilidade. A primeira aproximação consiste em alargar mecanicamente o esfíncter (por exemplo, insuflando um balão dentro dele). Os resultados deste procedimento são satisfatórios em cerca de 40 % dos casos, mas podem ser necessárias dilatações repetidas. Os nitratos (por exemplo, nitroglicerina colocada debaixo da língua antes das refeições) ou os bloqueadores dos canais do cálcio (como a nifedipina) podem atrasar a necessidade dum novo procedimento de dilatação, dado que ajudam a relaxar o esfíncter. Em menos de 1 % dos casos, o esófago pode lesar-se (rasgar-se) durante o processo de dilatação, o que conduz ao desenvolvimento duma inflamação do tecido circundante (mediastinite). Para reparar a lesão da parede é necessária cirurgia imediata.

Como alternativa à dilatação mecânica, o médico pode injetar toxina botulínica no esfíncter esofágico inferior. Este novo tratamento é tão eficaz como a dilatação mecânica, mas ainda não se conhecem os efeitos a longo prazo.

Se o tratamento de dilatação com a toxina botulínica não for eficaz, faz-se geralmente cirurgia para cortar as fibras musculares do esfíncter esofágico inferior. Esta cirurgia é eficaz em cerca de 85 % dos casos. No entanto, cerca de 15 % das pessoas sofrem crises de refluxo de ácido depois da cirurgia.


20/06/2012

Tensão pré-menstrual



Tensão pré-menstrual, ou TPM, é um tema que interessa não só às mulheres, mas aos homens, especialmente. Ela se caracteriza por um conjunto de sintomas e sinais que se manifesta um pouco antes da menstruação e desaparece com ela. Se eles persistirem, não se trata da síndrome de TPM, que está diretamente relacionada com a produção dos hormônios femininos. 

Do ponto de vista dos hormônios sexuais, os homens são muito mais simples do que as mulheres. Eles fabricam testosterona cuja produção começa a cair inexorável e lentamente a partir dos 20, 30 anos de idade. As transformações que essa queda provoca no humor masculino são, de certa forma, previsíveis e é por isso que as mulheres dizem que os homens são todos iguais. 

Com elas, é diferente. A concentração dos hormônios sexuais varia no decorrer do ciclo menstrual. Assim que termina a menstruação, tem início a produção de estrógeno, que atinge seu pico ao redor do 14º dia do ciclo, quando começa a cair e a aumentar a produção de progesterona. O nível desses dois hormônios, porém, praticamente chega a zero durante a menstruação. 

Portanto, em cada dia do mês, a mulher tem uma concentração de hormônios sexuais diferente da do dia anterior e diferente da do dia seguinte. O impacto que isso provoca no humor feminino também oscila de um dia para o outro. Por isso, os homens dizem que as mulheres são difíceis de entender. 

DEFINIÇÃO E PRINCIPAIS SINTOMAS

Drauzio – O que é tensão pré-menstrual e quais seus principais sintomas?

Mara Diegoli – Tensão pré-menstrual, ou TPM, é o nome que se dá a uma série de sintomas que se manifestam antes da menstruação. Mas, é preciso estarmos atentos: eles têm de sumir com a menstruação. Caso não desapareçam, não se trata de tensão pré-menstrual.

Os sintomas são variados: irritabilidade, depressão, dor nas mamas e agressividade, que pode e deve ser controlada. Dor de cabeça é outra queixa frequente. A mulher também chora fácil sem saber exatamente por quê e pode explodir sem motivo.

Drauzio – Isso quer dizer que se os sintomas se mantiverem depois da menstruação não podem ser atribuídos à tensão pré-menstrual?

Mara Diegoli – Essa é uma observação muito importante, porque qualquer doença psiquiátrica (a depressão, por exemplo) ou clínica, como a dor de cabeça crônica, podem piorar nesse período. Por isso, não adianta classificar tudo como tensão pré-menstrual, uma vez que seus sintomas aparecem alguns dias antes, pioram na véspera da menstruação e desaparecem com ela.

Drauzio – Quantos dias antes, mais ou menos, eles se manifestam?

Mara Diegoli – É variável. Há pessoas em que aparecem 15 dias antes e outras que só se alteram um ou dois dias antes da menstruação. Neste caso, a mulher está tranquila; de repente, é acometida por dor de cabeça e, no dia seguinte, menstrua. Ou, então, no dia que antecedeu a menstruação, estava no trabalho e aparentemente sem motivo começou a brigar com todos os colegas.

PRINCIPAL CAUSA DA MUDANÇA DE HUMOR

Drauzio – Em termos gerais, qual a explicação para essa mudança de humor?

Mara Diegoli – A principal causa está associada à produção de serotonina, uma substância produzida pelas células nervosas e que, na mulher, oscila de acordo com o período do ciclo menstrual. A serotonina atua sobre o humor das pessoas. Quando seu nível no organismo está alto, ficamos alegres, felizes, bem-humorados. Quando ele cai, ficamos mal-humorados e queremos comer doces para compensar. 

Sabe-se que no período pré-menstrual há uma queda nos níveis da serotonina. Sabe-se também que, diferentemente dos hormônios do homem, os hormônios femininos interferem com a produção da serotonina. Isso explicaria os sintomas psíquicos, enquanto os físicos resultam principalmente da própria alteração hormonal. 

É claro que não são todas as mulheres que sofrem de tensão pré-menstrual. Algumas são mais sensíveis; em outras, a TPM se manifesta apenas em determinada época da vida. 

UM POUCO DE HISTÓRIA

Drauzio – Quais foram os piores casos que você encontrou na clínica? 

Mara Diegoli – Vamos contar um pouco de história. Em 1953, Katrine Dalton, uma doutora famosa na Inglaterra, começou a perceber que ficava diferente no período em que menstruava e decidiu investigar por que isso acontecia. Seu trabalho de campo foi realizado em prisões e hospitais. Nas prisões, constatou que um número maior de homicídios ocorria em determinadas fases do ciclo menstrual e, nos hospitais, que aumentava o número de acidentes com os filhos e com as mães, que ficavam mais distraídas nessas fases. Ela exagerou totalmente, porém, quando concluiu que a mulher era dominada por seus hormônios no período pré-menstrual. 

Dra. Katrine não percebeu que estava incluindo, no universo analisado, todas as doenças psiquiátricas que, sem dúvida, pioram nesse período. 

À paciente que diz – “Coloquei fogo no colchão porque tenho TPM.” – nós explicamos que isso não é TPM. A mulher com TPM tem consciência do que faz e precisa aprender a controlar-se. Se não o fizer, é ela quem sairá perdendo. Na verdade, só conseguimos atingir o autocontrole e um bom desempenho, quando se sabe exatamente o que está acontecendo conosco. 

Por isso, no Hospital das Clínicas, a primeira conduta é identificar os casos de TPM e separá-los das outras síndromes psiquiátricas ou clínicas. A mulher precisa saber que TPM existe e que estamos ali para ensiná-la a lidar com o problema. Mulheres sempre tiveram esse distúrbio. Hoje, porém, com sua inclusão no mercado do trabalho, elas estão sobrecarregadas. Correm para levar os filhos à escola, correm no trabalho e, na volta, têm de dar conta dos serviços da casa e dos cuidados com a família. Por isso, atualmente, os sintomas da TPM são mais intensos, mas não justificam em absoluto atitudes malcriadas, agressividade, brigas, nem perder a paciência e bater nas crianças. 

FATORES PREDISPONENTES

Drauzio – Existe uma diferença no comportamento fisiológico da tensão pré-menstrual. Há mulheres em que a TPM praticamente inexiste e aquelas que sofrem muito nessa fase. 

Mara Diegoli - Eu destacaria três fatores para explicar a TPM. O primeiro é o hereditário. Pessoas cujas mães apresentaram TPM têm maior probabilidade de desenvolver a síndrome. 

O segundo é o fator externo. A mulher pode não ter TPM se estiver atravessando uma fase boa da vida e a serotonina sendo produzida em quantidade adequada, mas pode apresentar se estiver passando por situações difíceis, como doença na família, dificuldades econômicas, divórcio, pressão no trabalho. Nesses casos, o nível da serotonina, que já deve estar baixo, cairá mais ainda na segunda fase do ciclo menstrual, quando for produzido o hormônio que o derruba mais ainda. 

O terceiro é o fator endógeno. Há mulheres mais sensíveis a mudanças hormonais e as menos sensíveis. Estas podem não ter TPM ou tê-la de uma forma mais gostosa. Por exemplo, conheci uma mulher que pintava a casa nesse período, o que era uma forma agradável de dissipar a ansiedade e tensão que sentia. 

INFLUÊNCIA DA FAIXA ETÁRIA

Drauzio – Como flutua a TPM em função da faixa etária. Ela é mais comum nos jovens ou entre as pessoas mais velhas?

Mara Diegoli – Depende do sintoma. Um trabalho que realizamos no HC, em que foram entrevistadas 2.000 mulheres, evidenciou que a TPM é mais frequente após os 30-40 anos de idade, dado corroborado pela literatura médica sobre o assunto. Antes dessa idade, elas nem percebem que vão menstruar. A adolescente chega à escola e de repente sangra e tem cólica, o sintoma mais comum nessa faixa etária. No entanto, aos 30-40 anos, ocorrem com mais frequência os sintomas psíquicos. Elas se sentem mais cansadas e irritadas um ou dois dias antes de menstruar. 

Portanto, em adolescentes os principais sintomas são físicos: dor de cabeça e cólica. Deve-se tomar cuidado para não confundir a TPM com possíveis alterações psíquicas características da crise da adolescência, uma fase de transformação tanto do humor quanto do comportamento, uma vez que essas alterações podem agravar-se no período pré-menstrual. 

FAZENDO O DIAGNÓSTICO

Drauzio – Quando você recebe uma mulher com queixas de tensão pré-menstrual, como faz para ter certeza de que se trata mesmo desse problema? 

Mara Diegoli – A mulher pode e deve fazer o diagnóstico em casa. Para tanto, basta anotar num calendário os dias em que está triste, irritada, com dor de cabeça, chorando fácil e o dia em que menstruou. Se os sintomas começarem um pouco antes e desaparecerem durante a menstruação – não precisa ser no primeiro dia – ela tem TPM. 

Drauzio – Obrigatoriamente, os sintomas têm de desaparecer durante a menstruação? 

Mara Diegoli – Eles têm de cessar até o fim da menstruação. Caso se prolonguem, não é TPM. Por isso, para estabelecer um diagnóstico preciso, é importante a mulher observar o que sentiu durante o mês inteiro. Se ficou com dor de cabeça, irritada, deprimida, sem querer sair de casa, chorando à toa, é bom verificar se está perto da menstruação. Assim, também fica mais fácil aprender a controlar-se. Enquanto faz o gráfico e anota os sintomas, ela pode constatar que está entrando na fase da TPM – “Puxa, por isso gritei com meu filho e ia brigar com ele” – e começar a acionar alguns mecanismos para combater os sintomas dessa síndrome. 

MECANISMOS PARA COMBATER OS SINTOMAS

Drauzio – Quais são esses mecanismos?

Mara Diegoli – O mais importante de todos é o autoconhecimento. Ninguém pode trabalhar com uma coisa que não conhece, nem ter bom desempenho profissional, social ou familiar. Os hormônios mudam nosso humor? Mudam. Vamos, então, trabalhar com eles. A mulher já venceu tantos obstáculos que conseguirá vencer mais esse facilmente, desde que queira. 

Ela sabe que a mudança dos hormônios vai alterar o seu humor, está anotando no calendário e já percebeu que anda mais irritada. Vamos supor que esteja marcada uma reunião com o chefe. Se for à reunião e despejar tudo o que tem vontade e acha que ele deve ouvir, com certeza vai perder o emprego, o que é justo porque não se pode falar tudo aquilo que se pensa. Peneirar o que se diz ajuda a tornar o mundo melhor. 

Terminar o namoro pode ser uma idéia mais antiga, mas é conveniente que espere a TPM passar. Nesse caso, há até algumas dicas para os namorados. Evitem estar junto, discutir assuntos sérios ou tomar decisões definitivas nesses dias. Se a esposa está na fase de TPM e começou a ficar brava, o marido pode pegar os filhos para passear a fim de não entrar em atrito com ela, afastando assim a possibilidade de agressões mútuas que não têm cura. A TPM pode passar, mas o que foi dito ou feito jamais será esquecido. 

Por isso, é fundamental que a mulher aprenda a controlar-se. Se estiver diante de uma situação difícil, procure adiar a solução para depois que menstruar, quando seu comportamento será diferente. Numa reunião de trabalho, é mais profissional dizer ao chefe que vai analisar um assunto polêmico e depois mandar um relatório por escrito do que ter um destempero e perder o emprego. 

Exercícios físicos ajudam muito, porque reduzem a tensão, a depressão e melhoram a autoestima. Está brava, vai dar uma volta no quarteirão, fazer ginástica ou arrumar um armário, que se sentirá melhor. 

Drauzio – Existe algum tipo de exercício físico mais adequado? 

Mara Diegoli – O que mais se recomenda é o exercício aeróbico, mas nem todas podem fazê-lo. Pular, jogar tênis seria o ideal. No entanto, andar a pé ou de bicicleta em volta do quarteirão, arrumar o jardim ou dançar também resolve. O importante é descarregar a tensão e a ansiedade. 

No que se refere à alimentação, existem inúmeras dietas para a TPM, mas basta usar o bom senso. Se a mulher fica inchada, deve comer menos sal; se tem dor de cabeça, que evite fumar e se está ansiosa, não coma nem beba coisas que possam agravar o quadro. 

Drauzio – Que tipo de alimentos deixa a mulher mais ansiosa? 

Mara Diegoli – Sem dúvida alguma, o café deixa as pessoas mais ansiosas. Portanto, é fundamental diminuir o número de cafezinhos ingeridos nessa fase. O cigarro aumenta a insônia, um dos sintomas típicos da TPM, e a dor de cabeça. Não fumar ajuda a dormir melhor e, dormindo melhor, a ansiedade diminui. Alimentos que aumentem a diurese, por exemplo, chuchu, morango, melancia, salsa e agrião, ajudam desde que a mulher esteja empenhada na própria melhora. 

Drauzio – E o açúcar que papel desempenha nessa fase? 

Mara Diegoli – Quando cai a serotonina, a mulher sente compulsão por doces. Não há mulher que desconheça o desejo de comer doces nos dias que antecedem a menstruação. O açúcar libera endorfina, substância que transmite sensação de bem-estar, mas que facilita a retenção de água no organismo. Doces engordam e, ao perceber que a menstruação passou e ela não perdeu peso, a tendência é ficar deprimida. Deve-se, então, substituir o doce por um alimento adocicado que não contenha açúcar. 

ALTERAÇÕES DA SEXUALIDADE

Drauzio – De que forma a TPM interfere no comportamento sexual feminino?

Mara Diegoli – Na minha tese de doutorado, entre outras coisas, procurei estudar quais as alterações da libido feminina que ocorrem com maior frequência e cheguei à conclusão de que 70% das mulheres estão menos dispostas para a relação sexual na segunda fase do ciclo, isto é, nos 14 dias que antecedem a menstruação. Assim que menstruam, a libido aumenta. É claro que em 30% dos casos acontece exatamente o inverso. 

Por isso, aqui fica um conselho para os maridos. Se, embora mais sensível e dolorida, ele se aproxima com carinho e ela corresponde, ótimo! Isso vai melhorar o relacionamento e diminuir a tensão. Se ela, porém, não estiver disposta, não force a barra. A menstruação passa e ela volta a sentir desejo. 

Drauzio – Essa fase de aumento da libido coincide mais ou menos com a de aumento da produção de estrógeno. Você poderia falar sobre a produção dos hormônios sexuais femininos durante o ciclo menstrual? 

Mara Diegoli – A produção dos hormônios femininos oscila ao longo do mês. Durante a menstruação, ela não tem nem estrogênio nem progesterona. O estrogênio é o hormônio da feminilidade, que deixa a pele mais bonita, a mulher mais alegre, faz desenvolver as mamas, arredonda o quadril e torna a voz mais suave. A partir da menstruação, o nível de estrogênio começa a crescer e atinge o máximo por volta do 14º ou 15º dia, fase em que ocorrem a ovulação e o aumento da libido. A mulher fica mais fogosa, mais alegre e é preciso tomar cuidado se não quiser engravidar. 

Depois, o nível de estrogênio vai caindo e a mulher começa a produzir progesterona. Segundo o próprio nome diz – pró-gestare -, trata-se do hormônio da gestação, que prepara a mulher para a gravidez. Se por um lado a deixa mais tranquila, por outro favorece a retenção de líquidos, o aumento de pelos e diminui a imunidade. Em contrapartida, interrompendo a ação do estrogênio, a progesterona impede, por exemplo, o desenvolvimento de câncer de útero. Ela chega para trazer controle e estabilidade, mas provoca alguns sintomas colaterais: inchaço, depressão, aumento de pelos. A segunda fase do ciclo é um período caracterizado por mais inércia e tranquilidade. As mulheres ficam um pouco deprimidas e mal-humoradas, mais quietas e com menos libido. 

De repente, os dois hormônios caem por volta do 26º, 28º dia e desaparece o equilíbrio. A queda gradativa do estrogênio provoca os sintomas típicos da TPM. Quando ele volta a crescer, a mulher se sente melhor. 

USO DE MEDICAMENTOS

Drauzio – Além dessas medidas gerais, exercícios físicos, redução do sal, controle da impulsividade, há algum remédio indicado para reduzir esses sintomas? 

Mara Diegoli – As mulheres de hoje são felizes porque a ciência e a medicina evoluíram muito e há uma série de medicamentos que proporcionam melhor qualidade de vida para elas e para quem convive com elas, porque TPM sempre existiu e vai continuar existindo. 

É importante ressaltar que sem tratamento a mulher não vai morrer nem matar ninguém, mas vale a pena resolver o problema tendo em vista a melhora da qualidade de vida. 

Quando a TPM for leve, é suficiente tratar os sintomas. Se o problema é dor de cabeça e ela não consegue ler nem escrever naquele dia, prescrevem-se os remédios normais para combater a dor. Caso eles não façam efeito, tenta-se controlar o problema com medicamentos que devem ser tomados o mês inteiro. 

Todos os tratamentos que indicamos no Hospital das Clínicas de São Paulo têm o objetivo direto de tratar determinado sintoma. Nunca generalizamos. Nunca é indicado o mesmo tratamento para todas as pacientes.  

Se a mulher tentou o primeiro tratamento e não melhorou, se pôs em prática as medidas que indicamos e não melhorou, vamos passar para a segunda etapa com medicamentos mais fortes que vão agir sobre o humor ou sobre os hormônios. Os que mexem com o humor são a primeira opção para a TPM intensa. Embora os sintomas físicos costumem responder bem aos medicamentos, os psíquicos nem sempre o fazem.  

Drauzio – Que tipos de medicamentos são esses? 


Mara Diegoli - Antigamente quando a mulher falava – “Estou triste, deprimida e chorando por qualquer coisa” – era mandada para o psiquiatra, porque só eles sabiam indicar antidepressivos, medicamentos potentes e com muitos efeitos colaterais. Aí, surgiram no mercado os antidepressivos que só mexem com a serotonina e não provocam efeitos colaterais de sono, nem dopam a mulher, impedindo que ela trabalhe regularmente. 

Na minha tese de doutorado, experimentei usar a dosagem mínima de um antidepressivo bastante conhecido, o Prosac. Enquanto o mundo inteiro indicava a dosagem de 20mg a 60mg, indicamos 10mg porque a mulher com depressão por causa da TPM está trabalhando e vivendo normalmente. O sucesso foi grande porque conseguimos provar que com essa dosagem menor é possível afastar os sintomas sem provocar efeitos adversos. 

Por que cresceu a vontade de achar cura para a TPM? Porque antes a mulher ficava em casa e ninguém se importava se ela fazia ou não comida para a família. Se brigava com o marido, o problema era só dele. Entretanto, ela saiu de casa e ingressou no mercado de trabalho. Agora, o problema não é só do marido e dos filhos, é de todos. Imagine uma executiva não comparecer a uma reunião ou uma médica deixar de fazer uma cirurgia. O prejuízo é imponderável. Espera-se que a mulher trabalhe e produza. Assim, razões socioeconômicas associadas à força da mídia incentivaram o empenho da indústria farmacêutica e dos donos do dinheiro em resolver o problema. Por coincidência, ficou provado que alguns medicamentos (a fluoxetina) criados para tratar de outras patologias, como por exemplo a depressão, melhoram a TPM. A dosagem é diferente, pois a doença é diferente. É o único? Não é. Existem outros. 

Drauzio – A fluoxetina é indicada para as mulheres apenas durante a fase em que fica tensa ou durante o mês todo? 

Mara Diegoli – Essa é a grande polêmica. No meu primeiro trabalho, usei a metade da dosagem e provei que isso trazia bons resultados. Surgiram, porém, outros trabalhos defendendo o uso durante 15 dias, o que ainda é contestável, embora seja economicamente vantajoso. No entanto, é preciso pensar que o medicamento leva no mínimo de uma semana a dez dias para começar a agir. Por isso é que defendo seu uso contínuo, mas há divergências na literatura a respeito do assunto. 

No entanto, vamos deixar bem claro que o antidepressivo só deve ser empregado nos casos de sintomas da TPM muito intensos em que a alteração do humor prejudica a vida da mulher. 

Drauzio – A indicação desses medicamentos deve ser feita por um médico. A mulher com TPM não pode se automedicar de jeito nenhum, não é? 

Mara Diegoli– Não pode. Na verdade, esses medicamentos não são vendidos sem receita médica, o que ajuda a controlar seu uso, e só devem ser indicados depois de avaliação cuidadosa. Em muitos casos está provado que vale a pena usá-los. 

Atualmente, estamos pesquisando se interromper o ciclo ou torná-lo estável, evitando a oscilação dos hormônios, tem efeitos positivos sobre a TPM. 

RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES

Drauzio – Vamos resumir as recomendações para as mulheres em que a tensão pré-menstrual não é intensa.

Mara Diegoli – Primeira recomendação: aprenda a conhecer-se. Anote diariamente o que está sentindo e os dias da menstruação. Verifique se os sintomas aparecem alguns dias antes e desaparecem com ela; 

Segunda recomendação: não use a TPM como desculpa . Ela não é desculpa para nada. Se a mulher tem TPM, precisa de tratamento, porque ninguém é obrigado a aguentar seu mau humor. Saber controlar-se é importantíssimo para quem quer crescer pessoal, social e profissionalmente; 

Terceira recomendação: exercício físico adianta e merece ser feito; 

Quarta recomendação: evite compromissos importantes nos dias de tensão, porque você pode tomar atitudes erradas. Tente adiá-los. No dia seguinte, provavelmente você estará melhor Quinta recomendação: a mulher precisa aprender a conhecer-se e a viver consigo mesma. Assim ela melhora não só sua qualidade de vida como a de todas as pessoas envolvidas direta ou indiretamente com ela. 


Mara Diegoli é médica, trabalha no Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas e é coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com Tensão Pré-Menstrual do Hospital das Clínicas da Universidade São Paulo.



Informe-se e cuide-se!

30/04/2012

Alertas à saúde do homem


A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem foi lançada em 2009, pelo Governo Federal, com o objetivo de facilitar e ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde, pois o Ministério da Saúde considera a estratégia de prevenção a mais efetiva e segura. 
O grande problema é que cuidar da saúde tornou-se uma questão cultural. Enquanto as mulheres aprendem, desde cedo, que é preciso ir regularmente ao ginecologista - e depois, quando se tornam mães, que é preciso levar os bebês ao pediatra -, os homens são criados sem esse hábito. Como consequência, muitos deles sofrem com males que poderiam ser evitados com atitudes preventivas.

No Brasil, as doenças que mais afetam o sexo masculino são um problema de saúde pública, como: câncer, diabetes, colesterol, pressão arterial elevada e doenças do coração. Os problemas cardiovasculares estão entre as principais causas de morte - e entre os homens a incidência é maior. A prevenção pode ser feita com checkup periódico para controle dos fatores de riscos. Todos esses males podem ser ocasionados ou agravados pelo consumo excessivo de bebida alcoólica e cigarro.

O câncer de próstata é o mais frequente no homem e representa mais de 40% dos tumores que atingem o sexo masculino em idade superior a 50 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se que 50 mil novos casos aparecem por ano no Brasil.

As consultas ao urologista devem ser iniciadas aos 45 anos, mas se houver casos da doença na família, a primeira visita deve ser antecipada aos 40 anos. Segundo especialistas, o diagnóstico é feito em três etapas.: 
A primeira é um bate papo sobre os possíveis sintomas, depois o paciente faz o Antígeno Prostático Específico - PSA (exame que mede a taxa de antígeno prostático no sangue – o qual não pode ser superior a 4ng) e por último, é realizado o exame com toque retal.

Se os exames estiverem alterados, o médico solicita uma biópsia da próstata, a qual é realizada através de um aparelho de ultrassom que detecta pontos suspeitos e colhe amostras do tecido para confirmar a doença e seu estágio. O câncer de próstata geralmente apresenta evolução lenta, e não produz sintomas na fase inicial, por isso é tão importante ir anualmente ao médico. 

Feito o diagnóstico precoce do câncer de próstata, inicia-se o tratamento e o paciente apresenta um bom prognóstico de cura.

Além do câncer de próstata, outros fatores como alcoolismo e tabagismo representam risco à saúde dos homens. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de dois bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas no mundo. Os homens iniciam precocemente o consumo de álcool e, por isso, tendem a beber mais e a ter mais prejuízos em relação à saúde do que as mulheres. A prevalência de dependentes de álcool também é maior para o sexo masculino: 19,5% dos homens são dependentes de álcool, enquanto 6,9% das mulheres apresentam dependência.

Em relação ao tabagismo - considerado pela OMS a principal causa de morte evitável em todo o mundo -, os homens também usam cigarros com maior frequência do que as mulheres, o que acarreta maior vulnerabilidade às doenças cardiovasculares, pulmonares, bucais, câncer, entre outras. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% da população masculina e 12% da feminina fumam no mundo.

Portanto, se você é homem, fuja desse paradigma, cuide bem da saúde e consulte o médico regularmente. E, como profissional de enfermagem, enfatize esses alertas em sua atuação profissional! Lembre-se, a vida é o bem mais importante que possuímos e não vale a pena entrar para as estatísticas das doenças. 
Texto redigido pelos monitores do Programa Proficiência Bruno Torres de Melo e Kelly Christina de Alencar Dias.

27/01/2012

Hanseníase

Características da hanseníase e os bacilos de Hansen
Doença crônica granulomatosa, proveniente de infecção causada pelo Mycobacterium leprae. Esse bacilo tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos (alta infectividade), no entanto poucos adoecem (baixa patogenicidade); propriedades essas que não são em função apenas de suas características intrínsecas, mas que dependem, sobretudo, de sua relação com o hospedeiro e o grau de endemicidade do meio, entre outros aspectos. 
O domicílio é apontado como importante espaço de transmissão da doença, embora ainda existam lacunas de conhecimento quanto aos prováveis fatores de risco implicados, especialmente aqueles relacionados ao ambiente social. O alto potencial incapacitante da hanseníase está diretamente relacionado ao poder imunogênico do M. leprae e à capacidade do bacilo penetrar a célula nervosa.
INFORMAÇOES GERAIS SOBRE A DOENÇA- O QUE TODOS DEVEM SABER

1. Qual a classificação da hanseniase? 
A hanseníase, para fins de tratamento, pode ser classificada em: 
  Paucibacilar – poucos bacilos -: até 5 lesões de pele
. Multibacilar – muitos bacilos -: mais de 5 lesões de pele.
2. Quais os sinais e sintomas?

• Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade;

• Área de pele seca e com falta de suor;

• Área da pele com queda de pêlos, especialmente nas sobrancelhas;

• Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade ao calor, dor e tato. A pessoa se queima ou machuca sem perceber;

• Sensação de formigamento (Parestesias); 

• Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés;

• Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.

• Úlceras de pernas e pés.

• Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.

• Febre, edemas e dor nas juntas.

• Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz.

• Ressecamento nos olhos.

Locais do corpo com maior predisposição para o surgimento das manchas: mãos, pés, face, costas, nádegas e pernas

Importante: Em alguns casos, a hanseníase pode ocorrer sem manchas.
3. Como se transmite?

A transmissão se dá entre pessoas. Uma pessoa doente que apresenta a forma infectante da doença (multibacilar – MB), estando sem tratamento, elimina o bacilo pelas vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros), podendo assim transmiti-lo para outras pessoas suscetíveis. 

O bacilo de Hansen tem capacidade de infectar grande número de pessoas, mas poucas pessoas adoecem porque a maioria tem capacidade de se defender contra o bacilo.

O contato direto e prolongado com a pessoa doente em ambiente fechado, com pouca ventilação e ausência de luz solar, aumenta a chance da pessoa se infectar. 

Importante: Assim que a pessoa doente começa o tratamento deixa de transmitir a doença.
Ela não precisa ser afastada do trabalho, nem do convívio familiar e pode manter relações sexuais com seu parceiro ou parceira.
4. Quais são os fatores de risco para a hanseníase? 
Apesar de muitas pessoas contraírem o bacilo poucas adoecem. Isso porque a maioria das pessoas tem boa resistência ao mesmo. 
Situações de pobreza como precárias condições de vida, desnutrição, alto índice de ocupação das moradias e outras infecções simultâneas podem favorecer o desenvolvimento e a propagação da hanseníase. 
Esta doença pode atingir pessoas de ambos os sexos em qualquer idade em áreas endêmicas. Entretanto, é necessário um longo período de exposição e apenas uma pequena parcela da população infectada, adoece.
5. Qual o período de incubação? 
Em média de 2 a 5 anos.
6. Como as pessoas podem suspeitar que estão com hanseníase? 
Os sinais e sintomas mais freqüentes da hanseníase são manchas e áreas da pele com diminuição de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar em qualquer parte do corpo, principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas.

7. Como confirmar o diagnóstico? 
A confirmação do diagnóstico é feita pelo médico por meio de exame clínico, baseado nos sinais e sintomas detectados na observação de toda a pele, olhos, palpação dos nervos, avaliação da sensibilidade superficial e da força muscular dos membros superiores e inferiores. Em raros casos será necessário solicitar exames complementares para confirmação diagnóstica.
8. Como é o tratamento da hanseníase?

O tratamento específico é encontrado nos serviços públicos de saúde e é chamado de poliquimioterapia (PQT), porque utiliza a combinação de três medicamentos. Os medicamentos utilizados consistem na associação de antibióticos, conforme a classificação operacional, sendo:

• Paucibacilares: rifampicina, dapsona - 6 doses em até 9 meses;

• Multibacilares: rifampicina, dapsona e clofazimina – 12 doses em até 18 meses;

O paciente vai ao serviço mensalmente tomar a dose supervisionada pela equipe de saúde, e pegar a medicação para as doses que ele toma diariamente em casa.A regularidade do tratamento e o início mais precoce levariam a cura da hanseníase mais rápida e segura. 
9. Como prevenir a hanseníase? 
Apesar de não haver uma forma de prevenção especifica, existem medidas que podem evitar novos casos e as formas multibacilares, tais como:

• diagnóstico e tratamento precoces;

• exame das pessoas que residem ou residiram nos últimos cinco anos com o paciente;

• aplicação da BCG (ver item vacinação).

10. Como se realiza a prevenção de incapacidades?

A prevenção de incapacidades (PI) é uma atividade que se inicia com o diagnóstico precoce, tratamento com PQT, exame dos contatos e BCG, identificação e tratamento adequado das reações e neurites e a orientação de autocuidado, bem como apoio emocional e social. 

A Prevenção de Incapacidades se faz necessária também em alguns casos após a alta de PQT (reações, neurites e deformidades em olhos, mãos e pés). 

A avaliação neurológica, classificação do grau de incapacidade, aplicação de técnicas de prevenção e a orientação para o autocuidado são procedimentos que precisam ser realizados nas unidades de saúde. 

Estas medidas são necessárias para evitar seqüelas, tais como: úlceras, perda da força muscular e deformidades (mãos em garra, pé caído-sem força para levantar o pé-, lagoftalmo – incapacidade parcial ou total de fechar as pálpebras). 

Recomenda-se o encaminhamento às unidades de referencia os casos que não puderem ser resolvidos nas unidades básicas.
11. Como proceder em caso que requer reabilitação? 
Os pacientes diagnosticados tardiamente e com deformidades físicas deverão ser encaminhados para unidades de referência onde poderão se beneficiar de tratamento adequado, como a cirurgia, exercícios pré e pós-operatórios e o autocuidado, bem como da indicação de próteses e/ou órteses. O objetivo é proporcionar uma melhor qualidade de vida às pessoas com hanseníase e/ou suas sequelas.
12. Gravidez e o aleitamento 
A gravidez e o aleitamento materno não contra-indicam o tratamento poliquimioterápico da hanseníase que são seguros tanto para a mãe como para a criança. Alguns dos medicamentos podem ser eliminados pelo leite, mas não causam efeitos adversos importantes. Os lactentes, porém, podem apresentar a pele hiperpigmentada pela Clofazimina, ocorrendo à regressão gradual da pigmentação, após a parada do tratamento.
13. Vacinação BCG (BACILO DE CALMETTE-GUÉRIN)

Toda pessoa que reside ou residiu nos últimos cinco anos com doente de hanseníase, sem presença de sinais e sintomas de hanseníase no momento da avaliação, deve ser examinada e orientada a receber a vacina BCG para aumentar a sua proteção contra a hanseníase. 

Deve também receber orientação no sentido de que não se trata de vacina específica para a hanseníase. Estudos realizados no Brasil e em outros países verificaram que o efeito protetor da BCG na hanseníase variava de 20 a 80%, concedendo maior proteção para as formas multibacilares da doença.

Em alguns casos o aparecimento de sinais clínicos de hanseníase, logo após a vacinação, pode estar relacionado com o aumento da resposta imunológica em indivíduo anteriormente infectado.

A hanseníase parece ser uma das mais antigas doenças que acomete o homem. As referências mais remotas datam de 600 a.C. e procedem da Ásia, que, juntamente com a África, podem ser consideradas o berço da doença. A melhoria das condições de vida e o avanço do conhecimento científico modificaram significativamente o quadro da hanseníase, que atualmente tem tratamento e cura. No Brasil, cerca de 47.000 casos novos são detectados a cada ano, sendo 8% deles em menores de 15 anos.
fonte:


Estude e Cuide-se!

21/11/2011

Câncer de pele: DETECÇÃO PRECOCE


O QUE É DETECÇÃO PRECOCE OU SCREENING DE UM TIPO DE CÂNCER? 
Detecção precoce ou screening para um tipo de câncer é o processo de procurar um determinado tipo de câncer na sua fase inicial, antes mesmo que ele cause algum tipo de sintoma. Em alguns tipos de câncer, o médico pode avaliar qual grupo de pessoas corre mais risco de desenvolver um tipo específico de câncer por causa de sua história familiar, por causa das doenças que já teve ou por causa dos hábitos que tem, como fumar, consumir bebidas de álcool ou comer dieta rica em gorduras.

A isso se chama fatores de risco e as pessoas que têm esses fatores pertencem a um grupo de risco. Para essas pessoas, o médico pode indicar um determinado teste ou exame para detecção precoce daquele câncer e com que freqüência esse teste ou exame deve ser feito. Para a maioria dos cânceres, quanto mais cedo (quanto mais precoce) se diagnostica o câncer, mais chance essa doença tem de ser combatida.

QUAL É O TESTE QUE DIAGNOSTICA PRECOCEMENTE O CÂNCER DE PELE?

O câncer de pele é o mais comum de todos os tipos de câncer. Existem basicamente dois tipos de câncer de pele: o não-melanoma, que é o mais comum e raramente pode causar a morte do paciente, e o melanoma, que é o mais raro, mas é responsável por três em cada quatro mortes por câncer de pele.

Os tumores de pele, usualmente, têm um longo tempo entre o seu aparecimento e a sua disseminação, propiciando a aplicação de um exame que o detecte ainda numa fase curável.

Como os tumores de pele são facilmente localizados a olho nu (sem o uso de aparelhos especializados) o exame que pode diagnosticar o câncer de pele precocemente é o exame de inspeção (olhar a pele) durante um exame físico.


COMO O MÉDICO FAZ ESSE EXAME?

Um médico ou outro profissional da saúde procura cuidadosamente por lesões suspeitas em toda a área de pele do corpo do paciente. Nesse exame o médico inclui procura detalhada de lesões em áreas mais comumente expostas ao sol, já que esse tipo de câncer está associado à exposição excessiva ao sol, mas também procura em regiões difíceis de serem vistas pelo paciente, como as costas, o couro cabeludo, entre os dedos e as plantas dos pés.

Alguns trabalhos científicos têm demonstrado que criar programas de exames de rotina para procurar lesões suspeitas e treinar a população para procurar lesões suspeitas e procurar o médico para fazer um diagnóstico de certeza, diminui a mortalidade e as doenças associadas a esse tipo de câncer.

Entretanto, mais investigação é necessária para afirmar qual é a melhor estratégia de detecção precoce e de quanto em quanto tempo esses exames devem ser feitos.

QUAIS OS FATORES DE RISCO MAIS COMUNS ASSOCIADOS AO CÂNCER DE PELE?

Raça: 
Câncer de pele é mais comum em pessoas de pele clara, cabelo e olhos claros, que ficam facilmente vermelhas quando se expõem ao sol e que muitas vezes descascam facilmente a pele após se queimarem no sol.

Idade:

O melanoma aumenta rapidamente após os 20 anos entre pessoas brancas.

História pessoal: 
Pessoas com certo tipo de sinais (nevos) ou que têm Síndrome do Nevo Displásico têm mais chance de desenvolver melanoma.

História de doenças anteriores: 
Pessoas que já tiveram câncer de pele do tipo não-melanoma têm mais chance do que outras de desenvolver esse tipo de câncer.

Exposição: 
Pessoas que se expõem por um longo período ao sol ou Raio X e luz ultravioleta têm mais chance de desenvolver esse tipo de câncer. 
Fonte: ABC da Saúde 
Leia, Estude, Pesquise e
CUIDE-SE.

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