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29/10/2015

Pesquisa aponta resultados sobre complicações da psoríase em brasileiros


Uma pesquisa inédita foi apresentada nesta quinta-feira, no Dia Mundial de Conscientização contra Psoríase, sobre a doença identificada por lesões na pele, e aponta que 63,7% dos pacientes brasileiros relatam ter dificuldades associadas à dor e aspectos emocionais, o que pode ajudar a desencadear artrite e problemas cardiovasculares.

"A psoríase tem sido negligenciada por muito tempo, por falta de terapêutica adequada para seu controle. Hoje, já dispomos de tratamentos eficazes que podem minimizar seus efeitos, quando a doença é adequadamente tratada", afirma a médica Cacilda Souza, responsável pelo Serviço de Dermatologia do Hospital de Clinicas, da USP-Ribeirão Preto e coordenadora o estudo.

Segundo a especialista, a psoríase é uma doença não contagiosa, mas crônica e sistêmica, o que exige uma atenção da medicina para o desenvolvimento de cuidados com os pacientes, que sofrem também com o preconceito da visibilidade que a enfermidade apresenta.

"Na maioria das vezes, identifica-se a psoríase através das lesões da pele que descamam muito e coçam, especialmente nas regiões do couro cabeludo, joelhos, cotovelos, braços e pernas, que são partes visíveis e causam desconforto ao paciente", descreveu à Efe.

Além disso, a médica explica que os pacientes com psoríase podem ter uma incidência maior de problemas cardiovasculares por causa da associação com um conjunto de doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, que formam o que a medicina classifica como síndrome metabólica.

De acordo com a médica, a síndrome metabólica é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e, estima-se, afeta entre 30% a 40% dos pacientes com psoríase, independente do grau de atividade da doença.

Pensando nisso, o foco do estudo 'Beyond', patrocinado pela companhia biofarmacêutica AbbVie, foi identificar quantos dos pacientes possuíam complicações causadas pela doença.

Segundo Souza, ainda não são totalmente conhecidas as razões da associação da psoríase com a síndrome metabólica; mas sabe-se que o risco é maior entre os pacientes com psoríase do que os pacientes sem a doença.

Até outubro, a pesquisa avaliou 113 pacientes brasileiros que têm a doença inflamatória, que surge também por causa do estado do sistema imunológico da pessoa, podendo também ter um componente genético.

Dentro dessa amostra, 63,1% apresentam sintomas de dor e mal estar e 54,1% têm sinais de depressão e ansiedade, quadros clínicos que podem complicar a psoríase, melhorando ou piorando no dia a dia, segundo explicou a médica à Efe.

Entre os pacientes que participaram da pesquisa, a maioria é composta por homens (55,8 por cento), com idade média de 52 anos, e fazem parte de um estudo maior, o Beyond, que inclui um total de 300 pacientes das regiões Norte, Sudeste e Sul do Brasil.

O estudo foi estruturado para medir a prevalência da síndrome metabólica e artrite psoriásica em pacientes com a enfermidade em diferentes estágios da doença.

De acordo com os dados da Associação Psoríase Brasil, cerca de cinco milhões de brasileiros possuem a doença.

A pesquisa continua sendo feita e os resultados completos devem ser concluídos em 2016 com foco principal em pacientes adultos com psoríase (homens e mulheres não grávidas) em qualquer estágio da doença. 
As avaliações foram baseadas na resposta a questionários específicos, exames clínicos e de imagem de pacientes dos nove centros de tratamento e pesquisa em psoríase do país, sendo a maioria associada a hospitais universitários. 
"A psoríase tem um grande impacto na vida dos pacientes. Como as pesquisas sobre a doença são limitadas, estes dados, com pacientes brasileiros, contribuirão para entendermos as necessidades e para trazermos soluções mais adequadas a estes pacientes", afirma o Manuel Uribe, Diretor Médico da AbbVie no Brasil.


17/09/2013

Sudorese Excessiva

O corpo humano possui mecanismos para regular sua temperatura e necessita transpirar mais ou menos conforme a temperatura ambiente, ou como forma de eliminar calor quando praticamos exercícios físicos. Eventualmente, há uma disfunção desses mecanismos e teremos então a hiperidrose. Ela ocorre em cerca de 1% da população, trazendo importante desconforto a essas pessoas do ponto de vista social. O indivíduo tende a se retrair, pois constrange-se ao contato físico com as pessoas e um simples aperto de mão torna-se um problema. Há dificuldades profissionais ao manusear papéis e outras atividades. A hiperidrose pode ocorrer como conseqüência do hipertireoidismo, de distúrbios psiquiátricos, de menopausa ou da obesidade. Devemos então afastar essas possibilidades que teriam tratamento clínico, e caso não haja indícios dessas patologias, estaremos diante de Hiperidrose Primária, cujo tratamento será cirúrgico, hoje realizado por moderna técnica pouco invasiva e muito precisa, chamada Simpatectomia Torácica Videotoracoscópica.
O início dos sintomas pode ocorrer na infância, na adolescência ou somente na idade adulta, por razões desconhecidas. Eventualmente, podemos encontrar história familiar. Os pacientes referem sudorese constante, às vezes, inesperada, mas a maioria deles relata fatores agravantes. Os fatores desencadeantes da sudorese excessiva são o aumento da temperatura ambiente, o exercício, a febre, a ansiedade e a ingestão de comidas condimentadas. Geralmente, há melhora dos sintomas durante o sono. O suor pode ser quente ou frio. Pode afetar todo o corpo ou apenas a região palmar das mãos, planta dos pés, axilas, região inframamária, inguinal ou cranio-facial. Quando a hiperidrose é intensa, a pele pode apresentar fissuras; se nas axilas, haverá odor fétido


Tratamento clínico
Uso de antiperspirantes e adstringentes (cloreto de alumínio em álcool etílico, solução de glutaraldeído 2%, etc.): esses produtos devem ser aplicados sobre a pele seca, após banho frio, imediatamente antes de se deitar. Apresentam o inconveniente de causar dermatite de contato ou deixar a pele com coloração amarelada. 
Uso de talco ou amido de milho natural (para os casos mais leves): deve ser aplicado entre os dedos, sob as mamas ou em pregas da pele. 
Banho com sabonete desodorante: seu uso prolongado pode levar à dermatite. Não calçar o mesmo par de sapatos por dois dias seguidos; utilizar palmilhas absorventes, que devem ser substituídas freqüentemente 
Tratamento medicamentoso, com drogas antidepressivas, ansiolíticas e anticolinérgicas: essas drogas proporcionam apenas alívio parcial e apresentam efeitos colaterais importantes e indesejáveis, como alteração da visão, boca seca, problemas urinários, sedação e outros. 
Iontoforese, biofeedback e psicoterapia. 
 Injeções locais de toxina botulínica (existem várias marcas), com duração de 4-6 meses e uso limitado a áreas de pequena extensão, o que torna rara a indicação desse método.
Os tratamentos clínicos disponíveis são falhos na medida em que não são definitivos, alguns são desagradáveis e mais dispendiosos quando temos de repeti-los periodicamente.


Tratamento Cirúrgico
Através da videocirurgia torácica (videotoracoscopia), com a qual a agressão é mínima, a segurança no ato é grande e o resultado é ótimo, com duas pequenas incisões de cerca de 1cm e o auxílio de um sistema de vídeo, podemos interromper a condução nervosa responsável pelo problema e o resultado é imediato. A simpatectomia torácica é utilizada no tratamento da hiperidrose palmar e axilar, tem resultados positivos também para distrofia simpática reflexa (síndrome dolorosa dos membros superiores), em casos selecionados de problemas circulatórios graves de membro (doença vascular periférica embólica ou aterosclerótica), doença de Raynaud (caracterizado por dor e má-circulação dos membros) e outras. Os melhores resultados são encontrados no tratamento da hiperidrose primária. Os pacientes portadores de hiperidrose primária grave, geralmente, já tentaram inúmeros tipos de tratamento conservador, com dermatologistas e psiquiatras.
O procedimento está contra-indicado nos pacientes portadores de hiperidrose secundária, nos pacientes portadores de insuficiência respiratória ou cardiovascular grave e nos pacientes com sequela de doença pleural (tuberculose, empiema).
Técnica Operatória
O paciente pode ser internado no dia da operação. Inicialmente, ele é monitorizado e, sob anestesia geral, realizamos cauterização da cadeia simpática (responsável pelo suor). O equipamento necessário para a operação consiste de uma óptica rígida de 5 a 10mm de diâmetro, câmera e o monitor de vídeo para visualizar o campo operatório. O instrumento utilizado, via de regra, é o eletrocautério ou bisturi ultra-sônico. Na operação, são necessários apenas dois pequenos cortes de 1cm cada um, nos quais introduzimos os instrumentos necessários para realizá-la.
Pós-Operatório
A dieta é liberada tão logo o paciente esteja recuperado da anestesia e pode receber alta no dia seguinte à operação ou no mesmo dia conforme o horário da cirurgia. Poderá retornar às suas atividades habituais dentro de poucos dias, no máximo em 10 dias. As cicatrizes são muito pequenas, quase imperceptíveis.
Resultados Cirúrgicos
Os resultados são imediatos. As extremidades superiores (membros superiores e axilas) encontram-se secos e quentes, assim que o paciente recupera-se da anestesia em 95% dos casos. Os pacientes referem que pela primeira vez, em muitos anos, as mãos estão secas e quentes. Em 50% das vezes, o mesmo ocorre em relação à hiperidrose plantar e craniofacial. Os resultados são, geralmente, permanentes e a melhora na qualidade de vida é indiscutível. O índice de satisfação chega a 98%.


Efeitos Colaterais e Complicações
Em 20 a 50% dos pacientes, pode ocorrer hiperidrose compensatória. Trata-se de um aumento da sudorese em outras partes do corpo, geralmente, no dorso e no tórax anterior. Provavelmente, representa uma resposta termo-reguladora do organismo. Essa condição é tolerável para maioria dos pacientes. Na maioria dos casos, o quadro melhora com o passar do tempo (aproximadamente 6 meses) ou o paciente aprende a conviver com ela. A síndrome de Claude-Bernard-Horner (pálpebra caída, olhos encovados e pupilas contraídas permanentemente) é complicação extremamente rara. O pneumotórax (permanência de ar residual nas pleuras) no pós-operatório é uma complicação possível, que na maioria das vezes, resolve-se espontaneamente (é absorvido), não necessitando intervenção específica. O hemotórax, a lesão do tecido pulmonar e do plexo braquial (complexo nervoso responsável pelos membros superiores) e a infecção dos cortes realizados também são complicações possíveis, embora muito raras.
Conclusão
A simpatectomia videotoracoscópica tem se mostrado o único método eficaz para curar a hiperidrose moderada e grave de mãos e faces. É o método de escolha, especialmente se outras opções terapêuticas já foram testadas, sem resultado satisfatório. Constitui-se, também, em método eficaz para o tratamento do "blushing facial", ou seja, rubor e sudorese excessiva na face. A técnica endoscópica é extremamente segura e eficaz, pois conduz à cura definitiva em quase 100% dos casos.

28/08/2012

Teníase Cisticercose

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

O complexo Teníase/Cisticercose é constituído por duas entidades mórbidas distintas, causadas pela mesma espécie de cestódio, em fases diferentes do seu ciclo de vida. A Teníase é provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium ou da Taenia saginata, no intestino delgado do homem. A Cisticercose é causada pela larva da Taenia solium nos tecidos, ou seja, é uma enfermidade somática. A Teníase é uma parasitose intestinal que pode causar dores abdominais, náuseas, debilidade, perda de peso, flatulência, diarreia ou constipação. Quando o parasita permanece na luz intestinal, o parasitismo pode ser considerado benigno e só, excepcionalmente, requer intervenção cirúrgica por penetração em apêndice, colédoco ou ducto pancreático, devido ao crescimento exagerado do parasita. A infestação pode ser percebida pela eliminação espontânea de proglotes do verme, nas fezes. Em alguns casos, podem causar retardo no crescimento e desenvolvimento das crianças, e baixa produtividade no adulto. As manifestações clínicas da Cisticercose dependem da localização, do tipo morfológico, do numero de larvas que infectaram o indivíduo, da fase de desenvolvimento dos cisticercos e da resposta imunológica do hospedeiro. As formas graves estão localizadas no sistema nervoso central e apresentam sintomas neuropsiquiátricos (convulsões, distúrbio de comportamento, hipertensão intracraniana) e oftálmicos.
Sinonímia

Teníase - Solitária.

Cisticercose - Lombriga na cabeça.

Agente Etiológico

A Taenia solium é a tênia da carne de porco e a Taenia saginata é a da carne bovina. Esses dois cestódios causam doença intestinal (Teníase) e os ovos da T. solium desenvolvem infecções somáticas (Cisticercose).

Reservatório 
O homem é o único hospedeiro definitivo da forma adulta da T. solium e da T. saginata. O suíno doméstico ou javali é o hospedeiro intermediário da T. solium, e o bovino é o hospedeiro intermediário da T. saginata, por apresentarem a forma larvária (Cysticercus cellulosae e C. bovis, respectivamente) nos seus tecidos.

Modo de Transmissão 
A Teníase é adquirida pela ingesta de carne de boi ou de porco mal cozida, que contem as larvas. Quando o homem acidentalmente ingere os ovos de T. solium, adquire a Cisticercose. A Cisticercose humana por ingestão de ovos de T. saginata não ocorre ou é extremamente rara.
Período de Incubação
Cisticercose humana - Varia de 15 dias a anos apos a infecção.

Teníase - Cerca de 3 meses apos a ingesta da larva, o parasita adulto já é encontrado no intestino delgado humano.

Período de Transmissibilidade 
Os ovos das tênias permanecem viáveis por vários meses no meio ambiente, contaminado pelas fezes de humanos portadores de Teníase.

Complicações

Teníase - Obstrução do apêndice, colédoco, ducto pancreático.

Cisticercose - Deficiência visual, loucura, epilepsia, entre outras.
Diagnóstico

Clínico, epidemiológico e laboratorial. Como a maioria dos casos de Teníase é oligossintomático, o diagnóstico comumente é feito pela observação do paciente ou, quando crianças, pelos familiares. Isso ocorre porque os proglotes são eliminados espontaneamente e nem sempre são detectados nos exames parasitológicos de fezes. Em geral, para se fazer o diagnóstico da espécie, coleta-se material da região anal e, através do microscópio, diferencia-se morfologicamente os ovos da tênia dos demais parasitas. Os estudos sorológicos específicos (fixação do complemento, imunofluorescência e hemaglutinação) no soro e líquido cefalorraquiano confirmam o diagnóstico da neurocisticercose, cuja suspeita decorre de exames de imagem: raios X (identifica apenas cisticercos calcificados), tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética (identificam cisticercos em várias fases de desenvolvimento). A biopsia de tecidos, quando realizada, possibilita a identificação microscópica da larva.

 
Diagnóstico Diferencial

Na neurocisticercose, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com distúrbios psiquiátricos e neurológicos (principalmente epilepsia por outras causas).

Tratamento

Teníase - Mebendazol: 200mg, 2 vezes ao dia, por 3 dias, VO; Niclosamida ou Clorossalicilamida: adulto e criança com 8 anos ou mais, 2g, e crianças de 2 a 8 anos, 1g, VO, dividida em 2 tomadas; Praziquantel, VO, dose única, 5 a 10mg/kg de peso corporal; Albendazol, 400mg/dia, durante 3 dias. 
 
Neurocisticercose - Praziquantel, na dose de 50mg/kg/dia, durante 21 dias, associado a Dexametasona, para reduzir a resposta inflamatória, consequente a morte dos cisticercos. Pode-se, também, usar Albendazol, 15mg/dia, durante 30 dias, dividida em 3 tomadas diárias, associado a 100mg de Metilprednisolona, no primeiro dia de tratamento, a partir do qual se mantem 20mg/dia, durante 30 dias. O uso de anticonvulsivantes, às vezes, se impõe, pois cerca de 62% dos pacientes desenvolvem epilepsia secundária ao parasitismo do SNC.

Características Epidemiológicas 
A América Latina tem sido apontada por vários autores como área de prevalência elevada de neurocisticercose, relatada em 18 países latino-americanos, com estimativa de 350.000 pacientes. A situação da Cisticercose suína nas Américas não esta bem documentada. O abate clandestino de animais, sem inspeção e controle sanitário, é muito elevado na maioria dos países da América Latina e Caribe, sendo a causa fundamental da falta de notificação. No Brasil, a Cisticercose tem sido cada vez mais diagnosticada, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, tanto em serviços de neurologia e neurocirurgia, quanto em estudos anatomopatológicos. A baixa ocorrência de Cisticercose em algumas áreas, como, por exemplo, nas regiões Norte e Nordeste, pode ser explicada pela falta de notificação ou porque o tratamento dos indivíduos acometidos é realizado em grandes centros, o que dificulta identificar a procedência do local da infecção.
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
Objetivo

Manter permanente articulação entre a vigilância sanitária do setor saúde e a das secretarias de agricultura, visando à adoção de medidas sanitárias preventivas.

Notificação 
Não é doença de notificação compulsória. Entretanto, os casos diagnosticados de Teníase e neurocisticercose devem ser informados aos serviços de saúde, visando mapear as áreas afetadas, para que se possam adotar as medidas sanitárias indicadas.

Definição de Caso

Teníase - Indivíduo que elimina proglotes de tênia.

Cisticercose - Paciente suspeito, com ou sem sintomatologia clínica, que apresenta imagens radiológicas suspeitas de cisticercos; paciente suspeito com sorologia positiva para Cisticercose e/ou exames por imagem sugestivos da presença dos cistos.
MEDIDAS DE CONTROLE 
Trabalho educativo para a população - Uma das medidas mais eficazes no controle da Teníase/Cisticercose é a promoção de extenso e permanente trabalho educativo nas escolas e comunidades. A aplicação pratica dos princípios básicos de higiene pessoal e o conhecimento dos principais meios de contaminação constituem medidas importantes de profilaxia. O trabalho educativo voltado para a população deve visar à conscientização, ou seja, a substituição de hábitos e costumes inadequados e a adoção de outros que evitem as infecções.

Bloqueio de foco do complexo Teníase/Cisticercose - O foco do complexo Teníase/Cisticercose pode ser definido como sendo a unidade habitacional com, pelo menos: indivíduo com sorologia positiva para Cisticercose; indivíduo com Teníase; indivíduo eliminando proglotes; indivíduo com sintomas neurológicos suspeitos de Cisticercose; animais com Cisticercose (suína/bovina). Serão incluídos no mesmo foco outros núcleos familiares que tiveram contato de risco de contaminação. Uma vez identificado o foco, os indivíduos deverão receber tratamento com medicamento especifico.

Inspeção sanitária da carne - Essa medida visa reduzir, ao menor nível possível, a comercialização ou o consumo de carne contaminada por cisticercos e orientar o produtor sobre as medidas de aproveitamento da carcaça (salga, congelamento, graxaria, em acordo com a intensidade da infecção), reduzindo perdas financeiras e dando segurança para o consumidor.

Fiscalização de produtos de origem vegetal - A irrigação de hortas e pomares com água de rios e córregos, que recebam esgoto ou outras fontes de águas contaminadas, deve ser coibida pela rigorosa fiscalização, evitando a comercialização ou o uso de vegetais contaminados por ovos de Taenia.

Cuidados na suinocultura - Impedir o acesso do suíno as fezes

Isolamento - Para os indivíduos com Cisticercose e/ou portadores de Teníase, não ha necessidade de isolamento. Para os portadores de Teníase, entretanto, recomenda-se medidas para evitar a sua propagação: tratamento específico, higiene pessoal adequada e eliminação de material fecal em local adequado.

Desinfecção concorrente - É desnecessária, porem é importante o controle ambiental pela deposição correta dos dejetos (saneamento básico) e pelo rigoroso hábito de higiene (lavagem das mãos após evacuações, principalmente).


 Estude,Pesquise e
Cuide-se!

08/08/2012

ACALÁSIA

A acalásia (cardioespasmo, aperistaltismo esofágico, megaesôfago) é uma perturbação devida a uma alteração do sistema nervoso de causa desconhecida que pode interferir com dois processos: com as ondas rítmicas de contração do esófago que empurram os alimentos para a sua parte inferior (ondas peristálticas) e com a abertura do esfíncter esofágico inferior.

A acalásia pode ser devida a um mau funcionamento dos nervos que rodeiam o esôfago e inervam os seus músculos.

Sintomas e complicações

A acalásia pode surgir em qualquer idade, mas normalmente começa, quase duma forma imperceptível, entre os 20 e os 40 anos e depois progride de forma gradual ao longo de muitos meses ou anos. O principal sintoma é a dificuldade em engolir tanto sólidos como líquidos. A contração persistente do esfíncter esofágico inferior faz com que o esófago acima dele se dilate de forma exagerada.

Outros sintomas podem ser dor no peito, regurgitação do conteúdo do esófago dilatado e tosse noturna. Embora seja pouco comum, a dor no peito pode ocorrer durante a deglutição ou sem razão aparente. Cerca de um terço das pessoas com acalásia regurgitam a comida não digerida enquanto dormem. Podem aspirar alimentos para os seus pulmões, o que pode provocar abcessos no pulmão, bronquiectasias (alargamento e infecção das vias aéreas) ou pneumonia por aspiração. A acalásia também constitui um fator de risco para o cancro do esófago, embora provavelmente menos de 5 % das pessoas com acalásia desenvolva este tipo de cancro.

Diagnóstico e prognóstico

As radiografias do esôfago feitas no momento da deglutição do bário mostram a ausência de peristaltismo. O esófago encontra-se dilatado, frequentemente em proporções enormes, mas é estreito ao nível do esfíncter esofágico inferior. O valor das pressões medidas dentro do esófago (manometria)  indica uma ausência de contrações, um aumento da pressão de fecho no esfíncter inferior e uma abertura incompleta do esfíncter quando a pessoa engole. A esofagoscopia (exame do esófago através dum tubo flexível de visualização com uma câmara de vídeo) mostra um alargamento, mas não uma obstrução.

Com a ajuda dum esofagoscópio (tubo flexível para a visão direta), o médico faz uma biopsia (obtém amostras de tecido para serem examinadas ao microscópio) para confirmar que os sintomas não são causados por um cancro do segmento inferior do esófago. Também faz um exame para descartar uma esclerodermia, uma doença muscular que pode alterar a deglutição.

Muitas vezes, a causa da acalásia não é importante e não condiciona nenhum problema grave. O prognóstico não é tão bom se tiver havido aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões, uma vez que as complicações pulmonares são difíceis de tratar.

Tratamento

O objetivo do tratamento é conseguir que o esfíncter esofágico inferior se abra com mais facilidade. A primeira aproximação consiste em alargar mecanicamente o esfíncter (por exemplo, insuflando um balão dentro dele). Os resultados deste procedimento são satisfatórios em cerca de 40 % dos casos, mas podem ser necessárias dilatações repetidas. Os nitratos (por exemplo, nitroglicerina colocada debaixo da língua antes das refeições) ou os bloqueadores dos canais do cálcio (como a nifedipina) podem atrasar a necessidade dum novo procedimento de dilatação, dado que ajudam a relaxar o esfíncter. Em menos de 1 % dos casos, o esófago pode lesar-se (rasgar-se) durante o processo de dilatação, o que conduz ao desenvolvimento duma inflamação do tecido circundante (mediastinite). Para reparar a lesão da parede é necessária cirurgia imediata.

Como alternativa à dilatação mecânica, o médico pode injetar toxina botulínica no esfíncter esofágico inferior. Este novo tratamento é tão eficaz como a dilatação mecânica, mas ainda não se conhecem os efeitos a longo prazo.

Se o tratamento de dilatação com a toxina botulínica não for eficaz, faz-se geralmente cirurgia para cortar as fibras musculares do esfíncter esofágico inferior. Esta cirurgia é eficaz em cerca de 85 % dos casos. No entanto, cerca de 15 % das pessoas sofrem crises de refluxo de ácido depois da cirurgia.


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