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12/12/2015

Autismo


Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais:

* Inabilidade para interagir socialmente;

* Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;

* Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.

Os estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.



Sintomas

O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias, mais os meninos do que as meninas. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. O mais comum é os sinais ficarem evidentes antes de a criança completar três anos. De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em 3 grupos:

1) ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;

2) o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;

3) domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.

Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e auto-suficiência.



Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos por DSM–IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).




Tratamento

Até o momento, autismo é um distúrbio crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar.

Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Alguns podem beneficiar-se com o uso de medicamentos, especialmente quando existem co-morbidades associadas.


Recomendações

* Ter em casa uma pessoa com formas graves de autismo pode representar um fator de desequilíbrio para toda a família. Por isso, todos os envolvidos precisam de atendimento e orientação especializados;

* É fundamental descobrir um meio ou técnica, não importam quais, que possibilitem estabelecer algum tipo de comunicação com o autista;

* Autistas têm dificuldade de lidar com mudanças, por menores que sejam; por isso é importante manter o seu mundo organizado e dentro da rotina;

* Apesar de a tendência atual ser a inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares, as limitações que o distúrbio provoca devem ser respeitadas. Há casos em que o melhor é procurar uma instituição que ofereça atendimento mais individualizado;

* Autistas de bom rendimento podem apresentar desempenho em determinadas áreas do conhecimento com características de genialidade.

11/12/2015

Uso de antidepressivos na gravidez aumenta risco de autismo no bebê


Um novo estudo mostrou que filhos de mães que utilizaram estes medicamentos no segundo e terceiro trimestre da gravidez apresentaram o dobro de risco para o distúrbio.

Usar antidepressivos na gestação, em especial os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRIs, na sigla em inglês), pode aumentar em até 87% os riscos do surgimento de distúrbios do espectro autista nos filhos. É o que diz um estudo recém-publicado no periódico científico JAMA Pediatrics.

No trabalho, pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, analisaram dados de saúde de quase 146 mil mães e crianças, acompanhadas durante dez anos, durante o período da gestação. Os resultados mostraram que 4.724 (3,2%) dos fetos foram expostos a antidepressivos. A maioria deles (4.200) foi exposta no primeiro trimestre da gestação.

Ao longo dos 10 anos de acompanhamento, 1.054 bebês (0,7%) foram diagnosticados com autismo, mas o risco de desenvolvimento da doença aumentou 87% entre aqueles cujas mães tomaram antidepressivos nos últimos seis meses de gravidez (segundo e terceiro trimestre). De acordo com os autores, embora no geral o risco de autismo ainda seja muito baixo, ele é maior em relação aos filhos com mães que não tomam estes medicamentos.

Por ser um estudo observacional, não demonstra uma relação de causa e consequência entre o uso de antidepressivos pelas mães e o autismo nos filhos, mas os pesquisadores afirmam que é biologicamente possível que uma medicação afete o desenvolvimento cerebral no bebê. 

"Normalmente, pensamos que o primeiro trimestre da gravidez é o mais arriscado para o feto. De fato, é um período problemático para a formação do embrião. Mas o segundo e terceiro trimestres são cruciais para o desenvolvimento do cérebro", explicou Anick Bérard, professora da Universidade de Montreal, principal autora do estudo, ao jornal O Estado de São Paulo.

Segundo o estudo, a associação entre o autismo e os antidepressivos apareceu especialmente na utilização de medicamentos da classe de inibidores seletivos da recaptação da serotonina. "A serotonina está envolvida em numerosos processos no desenvolvimento pré e pós-natal, incluindo a divisão celular, migração de neurônios, diferenciação celular e gênese das sinapses, isto é, a criação de ligações entre as células cerebrais. Alguns antidepressivos funcionam com a inibição da serotonina, o que tem um impacto negativo na capacidade do cérebro de se desenvolver por completo e adaptar na vida intrauterina", disse Anick.

Os autores ressaltam que o trabalho não é uma recomendação para as mulheres pararem de tomar antidepressivos, apenas um alerta que esses medicamentos podem afetar o bebê. É fundamental ter sempre o acompanhamento médico.

Autismo - Os distúrbios do espectro autista são caracterizados por dificuldades de interação social, comunicação comportamentos repetitivos. No entanto, pouco se sabe das causas da doença. Especialistas acreditam que ela seja resultado de uma mistura de fatores genéticos e ambientais.

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