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02/09/2014

Pesquisadores japoneses desenvolvem teste que detecta ebola em 30 minutos


Vírus do ebola contagiou até o momento 3.069 pessoas, das quais 1.552 morreram.

Uma equipe de pesquisadores da universidade japonesa de Nagasaki desenvolveu um método simples e barato que pode detectar a presença do vírus do ebola em 30 minutos, informou nesta segunda-feira (1º) o jornal "Nikkei".

O novo exame, que utiliza uma substância desenvolvida para detectar, amplificando ou aumentando, apenas os genes específicos do vírus, pode ser feito em um tubo de ensaio que é preciso aquecer até 60 ou 65 graus. Para todo o processo só é preciso uma pequena pilha, por isso que é muito adequado para ser usado nas regiões afetadas pelo ebola, segundo assinalou o responsável do departamento de doenças infecciosas da universidade de Nagasaki, Jiro Yasuda.

O procedimento que mais se utiliza atualmente, testes moleculares denominados RT-PCR, dura até 24 horas e requer uma equipe dedicada e uma provisão estável de eletricidade, por isso que é difícil de utilizar em regiões com pouca infraestrutura de energia.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera que a epidemia na África Ocidental do vírus do ebola é uma das emergências sanitárias mais complexas dos últimos anos e que são necessários pelo menos US$ 490 milhões para tentar conter os contágios, que estão crescendo de forma exponencial.

Na atual epidemia, o vírus do ebola contagiou até o momento 3.069 pessoas, das quais 1.552 morreram, segundo a última apuração da OMS. 

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Ebola mata cinco pesquisadores que estudavam o vírus

Segundo a OMS, já passa de 3.000 os casos de ebola confirmados
Reprodução/ DailyMail

Doença também infectou 240 profissionais da saúde e matou outros 120.

O atual surto de ebola matou cinco pesquisadores que trabalhavam na análise genética da cepa do vírus atual para um estudo, publicado recentemente pela revista "Science", mas que eles não chegaram a ver divulgado. Desafiando a virulência e a rápida expansão do vírus do ebola que atinge a África Ocidental, cientistas, enfermeiras e médicos continuaram trabalhando para ajudar a combater este surto sem precedentes que se estende por Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa.

O preço foi muito alto também para os trabalhadores da área da saúde, já que a falta de equipamento suficiente ou seu uso inadequado, a escassez de profissionais para a magnitude da epidemia e a exposição prolongada aos pacientes causaram um forte impacto entre eles, com 240 infectados e 120 mortos.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), já passam de 3.000 os casos de ebola confirmados, e mais de 1.500 pessoas morreram, mas o órgão calcula que na realidade existam entre duas e quatro vezes mais contaminações do que isso. O ebola matou renomados médios em Serra Leoa e na Libéria, "privando estes países não só do atendimento médico com experiência e dedicação, mas também de heróis nacionais", lamentou esta semana a agência sanitária das Nações Unidas.

Entre esses heróis estão cinco dos co-autores do estudo intitulado "Vigilância genômica esclarece a origem do vírus do ebola e a transmissão durante o surto de 2014", que junto com pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram geneticamente 99 amostras do vírus, o que permitiu detectar suas mutações.

Os cinco cientistas eram experientes médicos do hospital Kenema Government Hospital em Serra Leoa, onde foi detectado o primeiro caso neste país e onde a maioria das amostras foi recolhida. Entre eles está Sheik Humarr Khan, um prestigiado virólogo que foi diretor do programa nacional de combate à febre de Lassa - um tipo de doença hemorrágica aguda com sintomas semelhantes ao ebola - para o Ministério da Saúde de Serra Leoa. Khan, que também trabalhou para o ACEGID (Centro Africano na Excelência Genômica de Doenças Infecciosas) na Nigéria, tratou dezenas de pacientes antes de contrair o vírus.

No ACEGID anunciaram "com grande tristeza e profundo pesar o falecimento de um médico excepcional, um homem humilde e um amigo leal", escreveu Kenneth Onye, diretor de projeto, no site do centro. Já a médica Onikepe Folarin destacou que Khan, também colaborador da Iniciativa Africana de Herança Humana e Saúde, "demonstrou coragem" em uma situação em que outros de seus colegas se afastaram. Entre as vítimas está Mbalu Fonnie, uma enfermeira que há mais de 30 anos tratava febre de Lassa, especializada em casos de mulheres grávidas e que contraiu a doença enquanto cuidava de uma de suas colegas de trabalho que esperava um filho.

Robert Garry, outro dos co-autores do estudo e virólogo na Universidade Tulane em Nova Orleans (Louisiana, EUA), lembrou em declarações à "Science" alguns de seus colegas, como "a tia Mbalu, uma figura maternal para toda a equipe".

Outro enfermeiro com mais de dez anos de experiência cuidando deste tipo de pacientes, Alex Moigboi, descrito por Garry como uma pessoa "sempre sorridente", com grande senso do humor e que gostava encorajar a todo o mundo, também se infectou cuidando da mesma enfermeira. A mesma sorte infelizmente teve também a enfermeira Alice Kovoma, "uma pessoa maravilhosa, muito dedicada e profissional com grande devoção para seus pacientes e seus colegas de trabalho", assegurou Garry.

Também morreu Mohammed Fullah, um técnico de laboratório que ajudou no estudo e que perdeu vários familiares por causa do ebola e que suspeita-se ter sido contaminado por algum deles. Entre os participantes deste estudo está Sidiki Saffa, um técnico de laboratório que recolheu amostras de sangue e as processou e que morreu de um derrame cerebral sem relação com o ebola.

Para Pardis Sabeti, da Universidade de Harvard, também membro da equipe da pesquisa, "esta é uma extraordinária batalha que ainda temos pela frente. Já perdemos vários amigos e colegas, como nosso bom amigo e colega o doutor Humarr Khan, co-autor principal".

Os autores cederam os dados do estudo porque "todos estamos nesta luta juntos" e consideram que "a transparência e a parceria são a forma com a qual esperamos honrar o legado de Humarr" e do resto da equipe. Mas para muitas sua morte não é o final: "Seu trabalho sentará as bases para um tratamento do ebola. Seu trabalho é imortal", podia se ler em uma das mensagens de pêsames publicadas na internet.


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